Vice-presidente da Fiemt vê abertura de diálogo para reduzir “tarifaço”

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Annie Souza/Rdnews

O vice-presidente da Fiemt (Federação das Indústrias de Mato Grosso) e deputado estadual Carlos Avallone (PSDB) avalia como muito positiva a conversa por telefone entre os presidentes Donald Trump (EUA) e Lula (Brasil), que aconteceu nesta segunda (6). “Porque tudo o que estava se dizendo era que não havia canal de conversa. O vice-presidente (Geraldo Alckmin) tinha ido lá e não estava conseguindo. A CNI foi lá e teve dificuldades. E, de repente, como foi dito pelo próprio Trump, ele viu uma química no Lula. E o Lula também confirmou aqui. Certo? E aí os dois conversaram por 40 minutos. Não foi uma conversa muito rápida”, analisa Avallone, durante visita à sede do , onde concedeu entrevista ao portal e ao Rdtv Cast.

Para o vice-presidente da federação, esse primeiro diálogo direta entre os chefes dos países abre um excelente canal de ligação. Apesar disso, ele alerta que a situação vivida atualmente só demonstra que o Brasil não pode ficar vinculado diretamente às grandes potências. “O Brasil sempre foi um país que sempre negociou com todos os lados. Saiu fora dessa polarização e, portanto, tem que continuar assim. Lógico que, ideologicamente falando, nós sempre tivemos uma ligação mais forte com os americanos do que com os chineses. Mas, a China mudou muito”, ressalta Avallone, mencionando o exponencial crescimento econômico e desenvolvimento tecnológico da China.

“Ela [China] tem um modelo que não é comunismo com certeza. Não é capitalismo, com certeza. Mas é um modelo que pra eles lá está dando certo”, opina, reconhecendo que há problemas no país. E, depois, completa: “E nós não temos nada a ver com isso. Nós estamos é negociando, vendendo e comprando. É isso que nós estamos fazendo lá”.

Nesta linha, Avallone defende que o tarifaço também vai demonstrar que não podemos ser dependentes da China e nem dos EUA porque pode ser uma estratégia perigosa. “Porque se lá [China] acontecer uma coisa semelhante, imagina o problema que vai dar para nós [Brasil]”, observa, dizendo que por isso é muito importante a informação, trazida pelo ministro Carlos Fávaro, de que o Brasil abriu 440 novos mercados.

“Nós precisamos ter alternativas. Porque se a gente ficar na mão seja dos Estados Unidos, da China ou de outro país a gente corre o risco de qualquer mudança”.

MT pouco afetado

Perguntado sobre os reflexos do tarifaço ddos Estados Unidos em Mato Grosso, o vice-presidente da Fiemt ressalta que foi pequeno e que atingiu mais fortemente o setor madeireiro, que tem maior dificuldade de reorganização.

Outros, como a carne, por exemplo, Avallone ressalta que mudaram a rota, exportando para países como o Paraguai e México que, por sua vez, abastecem o mercado norte-americano com tarifas mais acessíveis. “Agora, tem segmentos que não deu para fazer isso. Porque não tem essa agilidade. Pra poder fazer essa triangulação com tanta rapidez”, reconhece, citando a situação do café e da madeira brasileira.

Sobre o mercado da madeira de Mato Grosso, Avallone ressalta que está em processo de reorganização e adaptação. Ele pondera que 60 dias é um prazo muito curto para que o mercado consiga se reoxigenar.

Ligação entre Lula e Trump

Ontem, durante conversa de 30 minutos, o presidente americano teria dito que os americanos sentem falta do cafezinho. Mais tarde, Trump reafirmou que teve uma “ótima conversa” por telefone com Lula, mas não respondeu se diminuirá as tarifas contra o Brasil. Em post na Truth Social, o presidente dos Estados Unidos também afirmou ter gostado da ligação com Lula e confirmou que haverá novas discussões e pontuou que ambos devem se encontrar em um “futuro não tão distante” tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. 

Lula, por sua vez, descreveu o contato como uma oportunidade para a restauração das relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente. Recordou que o Brasil é um dos três países do G20 com quem os Estados Unidos mantêm superávit na balança de bens e serviços. Solicitou a retirada da sobretaxa de 40% imposta a produtos nacionais e das medidas restritivas aplicadas contra autoridades brasileiras.Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

Link da Matéria – via RD News

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