STF mantém prisão de PM preso por tentar quebrar celular em operação da PF

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João Aguiar

O Supremo Tribunal Federal (STF) converteu em preventiva a prisão do policial militar aposentado Dejair Silvestre dos Santos , que foi detido em flagrante pela Polícia Federal por obstrução à Justiça. A prisão aconteceu quando os agentes federais cumpriam mandados de busca e apreensão em mais uma fase da Operação Sisamnes, que apura um suposto esquema de venda de decisões judiciais envolvendo advogados, lobistas, empresários, assessores, chefes de gabinete e magistrados. O militar foi preso em Primavera do Leste (a 231 km de Cuiabá), na casa de Andreson de Oliveira Gonçalves, lobista apontado como nome central do esquema.

A decisão é do ministro Cristiano Zanin. Após a audiência de custódia, Dejair foi encaminhado ao Batalhão da Força Tática, onde permanece detido.

Em nota, a defesa de Dejair, patrocinada pelo advogado Lucas Curvo, afirmou que respeita a decisão do ministro e que adotará as medidas cabíveis. “O investigado nega a prática de obstrução e permanece à disposição da Justiça, confiando no pleno esclarecimento dos fatos e na integridade de suas garantias constitucionais”, afirma.

A Corregedoria da Polícia Militar também vai investigar o policial . “A Polícia Militar de Mato Grosso informa que a Corregedoria-Geral irá abrir uma sindicância em desfavor de um militar aposentado que foi preso em flagrante, nesta sexta-feira (3), por obstrução à Justiça, durante uma operação da Polícia Federal, em Primavera do Leste”, informou a PM por meio de nota.

Conforme apurado pelo , Dejanir atua como segurança particular de Andreson de Oliveira Gonçalves. Ele foi preso por obstrução à Justiça, por supostamente tentar esconder um celular após a chegada da PF na casa de Andreson.

A operação nesta sexta-feira foi deflagrada de forma sigilosa e teve Andreson como principal alvo. Os mandados cumpridos nesta manhã contra o lobista seriam por suspeita de que ele estaria descumprindo as medidas cautelares. O celular do empresário foi apreendido durante a ação. 

A ação contra o lobista acontece pouco mais de dois meses após o Supremo Tribunal Federal (STF) conceder prisão domiciliar a Andreson. A medida foi tomada após ele aparecer praticamente irreconhecível depois de passar 8 meses preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, e na Penitenciária Federal de Brasília, a “Papuda”. Enquanto estava preso, perdeu muito peso, aparecendo em um estado esquelético.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, Andreson fazia a ponte entre empresários e o advogado Roberto Zampieri (assassinado em dezembro de 2023 ), que, por sua vez, utilizaria sua influência enquanto jurista para manipular decisões judiciais  em favor dos seus clientes. A suposta atuação do lobista seria garantir o contato com figuras do Judiciário e facilitar o pagamento de vantagens indevidas.

Operação Sisamnes

A Operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024, levou à prisão de diversos investigados por envolvimento em uma organização criminosa que atuava na venda de decisões judiciais em processos milionários. 

Após sua prisão, a defesa de Andreson vinha alegando condições de saúde debilitadas, chegando a dizer que o lobista estaria passando fome em sua cela , além de alegarem ausência de condenação definitiva como argumentos para a concessão da prisão domiciliar. O lobista cumpre medidas cautelares enquanto aguarda o andamento do processo.

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Link da Matéria – via RD News

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