Delegado e investigadores detalham chacina em Sorriso: Absurdamente violenta

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A primeira fase do julgamento de Gilberto Rodrigues dos Anjos, no Tribunal do Júri , se encerrou no final da manhã desta quinta-feira (07), com o depoimento de familiares, investigadores e o delegado à frente das investigações, Bruno França. Gilberto é acusado dos crimes de estupro, estupro de vulnerável e feminicídio , cometidos contra Cleci Calvi Cardoso, de 46 anos, e das filhas Miliane Calvi Cardoso, de 19 anos, M.C.C, de 13 anos, e M.G.C, de 10 anos, em Sorriso, em novembro de 2023.  

O delegado Bruno França falou enquanto testemunha, detalhando que após chegar ao local e com o trabalho da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), toda a equipe concluiu que tratava-se de um caso de crime sexual e feminicídio “cometidos de forma absurdamente violenta”, visto que não foram localizados indícios de roubo. Josi Dias/TJMT

O delegado Bruno França, durante depoimento

Ao sair da residência para ir até a construção ao lado, Bruno disse que, no caminho, foi interrompido por um jornalista, que estava com um telefone na mão e disse que uma pessoa tinha uma informação sobre o caso. Ao telefone, a pessoa disse que seu marido trabalhava na obra ao lado da casa e que quando descobriram os corpos, todos os pedreiros correram para ver o caso, menos um deles, que usava camiseta de cor amarela, o que causou estranheza entre os demais. 

Bruno França afirmou ainda que, da obra onde Gilberto trabalhava, era possível enxergar grande parte do interior da casa das vítimas e que o réu confessou ter analisado a rotina delas dias antes do crime. “Ele monitorava a casa e aguardou que as vítimas estivessem em casa, em repouso, para entrar na casa”, relatou. 

O delegado ressalta ainda que na casa havia um andaime com uma tábua de acesso pelo muro de trás, que era próximo a um lavabo da casa, o que demonstrava que a entrada poderia ter ocorrido por ali, conclusões que ele tomou preliminarmente à perícia. Destacou ainda que o acesso frontal era dificultado por conta dos cachorros, que eram bravos.

O delegado conta que depois de toda atrocidade, Gilberto ainda se lavou no local do crime e escondeu vestígios.  Ainda segundo o delegado, no interrogatório, Gilberto contou o crime com “serenidade”, “como se estivesse contando uma pescaria” e com uma “tranquilidade assustadora”. Bruno afirmou notar que a única tristeza percebida em Gilberto era por ter sido preso. “Essa cidade nunca mais vai ser a mesma (…) ninguém daquela casa vai ser a mesma pessoa”.

“O motivo determinante que levou à decisão de prendê-lo em flagrante foi uma informação de compatibilidade perfeita do chinelo dele com uma impressão de chinelo no sangue de uma das vítimas. Todavia, isso foi analisado de forma conjunta. O mandado de prisão que ele tinha em aberto por um crime semelhante em Lucas do Rio Verde e demais informações incongruentes que ele havia passado para a gente a respeito de algumas perguntas que a gente tinha feito”, disse Bruno após seu testemunho no Júri. 

Afirmou não estar arrependido

O investigador de Polícia Civil Márcio Coutinho Scardua foi o próximo a testemunhar. Segundo ela, em quase 24 anos de carreira, sendo 10 anos da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), nunca viu um crime como este.

Marcio disse que perguntou a Gilberto se ele estava arrependido de cometer o crime, mas que o réu desconversou. “Ele fala que ele já tinha visto as mulheres antes, ou melhor, no nosso entendimento, ele já sondava elas”, relatou o investigador. JK Notícias

Momento em que Gilberto foi preso na construção em que trabalhava, ao lado da casa das vítimas

Posteriormente Márcio disse que questionou novamente se Gilberto estava arrependido ao que o réu teria respondido que não.

Famíliares contaram como eram as vítimas em vida

A irmã de Cleci, Elenara Calvi, e tia das outras vítimas contou que sua irmã era uma mulher trabalhadora dedicada, protetora com as filhas. “As meninas nunca foram soltas em lugar nenhum, sempre foram protegidas. Sempre!”, relatou. Ela contou ainda sobre a união que havia entre Cleci e sua família (mãe e irmãs). “Ela era perfeita para aquilo que ela se propunha a fazer, a vida inteira”, conta Elenara.

Sobre o dia que descobriu o crime, Elenara afirmou que foi até o local e que não saiu de lá, na tentativa de preservar as vítimas dos curiosos que se aglomeravam em volta. Ela falou da sua incredulidade em relação a tudo o que viu e do sentimento que teve naquele momento, de que o autor dos crimes estaria ali por perto, naquele momento, o que de fato ocorreu, com a detenção de Gilberto na obra onde trabalhava, ao lado da casa das vítimas.

Regivaldo Batista Cardoso, marido de Cleci e pai das outras vítimas, contou como eram as características de todas suas filhas e de sua esposa, destacou que Cleci era amorosa, inteligente e que cuidava muito bem das filhas. Sobre as filhas, conta que eram carinhosas, estudiosas.Segundo Regivaldo diariamente as filhas mandavam mensagem falando sobre suas rotinas e dizendo que estavam indo para a escola. . 

Por fim, ele pediu que Gilberto receba a maior condenação possível e pague por tudo o que fez.

Sentença prevista para o período da noite

O julgamento continua e o encerramento está previsto para a noite desta quinta-feira (07), podendo se estender a madrugada de sexta-feira (08). 

“Considerando que não existe uma pluralidade de réus e nem mesmo uma grande quantidade de testemunhas, os debates devem se iniciar à tarde e hoje à noite. Todo esse drama que a nossa cidade foi submetida deve terminar e a gente conta e espera uma condenação com uma pena bem dura, pelo menos proporcional à gravidade do crime investigado”, disse Bruno França.

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Link da Matéria – via RD News

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