
Os advogados de defesa de Nataly Helen Martins Pereira – ré confessa pelo assassinato da adolescente Emelly Azevedo Sena – pediram a reprodução simulada dos fatos, para verificar se haveria a possibilidade de todos os atos imputados a ela terem sido executados por apenas uma pessoa. O pedido foi feito pelos advogados André Luís Melo Fort e Ícaro Vione de Paulo.
Reprodução
O Ministério Público de Mato Grosso (MPE) denunciou apenas Nataly pelo crime e descartou envolvimento de irmão, cunhado e marido da ré no crime. O marido de Natally, Christian Albino Cebalho de Arruda, de 28 anos, foi preso ainda no Hospital Santa Helena, quando a suspeita tentou forjar que tinha dado à luz a bebê de Emelly . Já o irmão e o cunhado foram detidos na manhã seguinte, sob suspeita de terem colaborado com a cooperação do cadáver. Depois, todos foram soltos.
“Todos têm álibis de câmeras. Um no Jardim Itália, outro em um restaurante, outro em um hospital. Além de terem álibis de pessoas. Não é que existem provas fracas em relação a eles, é que não existe nada em relação a eles. Se fosse feita a Justiça com as próprias mãos, possivelmente aquelas três pessoas poderiam ser mortas, por isso é importante investigar. E essas investigações estão mostrando que não tem nada contra essas três pessoas”, destacou o promotor na época da denúncia.
Com o pedido de reprodução dos fatos, a defesa da suspeita quer esclarecer contradições relevantes e lacunas probatórias presentes na narrativa acusatória.
“A reconstituição pericial do cenário poderá demonstrar a inviabilidade material e temporal da execução da conduta nos moldes narrados pela acusação, sendo essencial à garantia do contraditório e da ampla defesa, nos termos da Constituição Federal”, diz trecho.
A reprodução simulada, segundo a defesa, irá permitir aferir: se haveria possibilidade técnica de execução dos atos imputados por uma única pessoa, em tempo exíguo e com os recursos descritos; se o local e a disposição espacial dos objetos e móveis são compatíveis com a dinâmica alegada; e se há divergências entre os depoimentos e a versão factual atribuída à ré.
O caso
Emelly Azevedo Sena desapareceu no dia 11 de março, por volta das 12h, após sair de casa, no bairro Eldorado, em Várzea Grande e avisar a família que estava indo para Cuiabá buscar doações de roupas de bebê. O celular parou de funcionar e a família saiu em procura dela, realizando um boletim de ocorrência às 22h.
Na quarta-feira à noite, Nataly e o marido deram entrada no hospital com uma bebê, alegando que o parto teria sido realizado na residência. A equipe médica desconfiou do caso, pois a mulher não tinha indícios de puerpério. Exames apontaram que a mulher não esteve grávida recentemente e que a criança seria de outra mãe.
No dia 13 pela manhã, o corpo de Emelly foi encontrado em uma cova rasa, com pernas e braços amarrados, asfixiada com um fio no pescoço e um corte de faca na barriga.
Na investigação, a Polícia Civil descobriu que a bebê que estava com Nataly era a filha da adolescente. Quatro suspeitos foram conduzidos, entre eles o marido de Nataly, mas os três foram liberados, tendo permanecido presa apenas a mulher.
A investigação aponta que Emelly ainda estava viva quando teve o bebê arrancado do ventre. Os cortes foram precisos e certeiro no útero, não tendo atingido outros órgãos. Nataly confessou em depoimento que, antes de matar Emelly, pediu desculpas e disse que cuidaria da bebê.
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