
A atriz e comunicadora Maria Fernanda Kopacheski, a Mafê, de Tangará da Serra (239 km a Médio-Norte) transformou a própria jornada até a gravidez em uma websérie documental. Em “Diário: Do Sonho ao Filho”, ela compartilha os bastidores de um desejo antigo, marcado pela fertilização in vitro (FIV), por tentativas que não deram certo, espera, medo e esperança até a confirmação da gestação.
Com direção do cineasta Pither Lopes, a produção nasceu dos registros feitos ao longo do processo e busca mostrar justamente aquilo que acontece antes da chegada de um filho. No caso de Mafê, o resultado positivo veio na terceira tentativa.
“O sonho de ser mãe sempre esteve comigo. Eu lembro que, quando era pequena e me perguntavam o que eu queria ser quando crescesse, minha resposta era ser mãe. Então, é um sonho de muitos anos. O momento mais difícil dessa jornada talvez seja esperar: quando isso vai acontecer, quando esse sonho vai se realizar. Essa espera é doída”, conta.
Durante o tratamento, ela diz que aprendeu a lidar com a expectativa, concentrando-se em cada fase, em vez de pensar apenas no resultado final.
“Eu entendi que precisava comemorar cada etapa. Eu não poderia pensar lá na frente, no resultado final, senão eu iria adoecer. É um exame que deu certo, é um procedimento que ocorreu tudo bem, então a gente vai comemorando cada etapa. No nosso caso, na terceira tentativa, o final foi positivo e muito feliz”, relembra.
Da experiência pessoal para outras mulheres
A decisão de transformar o tratamento em uma produção audiovisual surgiu quando Mafê percebeu que a própria experiência poderia criar identificação com outras mulheres que enfrentam a espera pela maternidade.
“A ideia nasceu de uma vontade muito simples: registrar uma história que, durante muito tempo, eu vivi em silêncio. O sonho de ser mãe foi ocupando um espaço muito grande dentro de mim, com momentos de esperança, de espera, medo e também de muita, muita, muita fé. Em algum momento eu percebi que essa história não precisava existir apenas dentro de mim”, afirma.
Segundo a atriz, a série procura mostrar a maternidade sem romantizar o processo, mas também sem transformar a trajetória exclusivamente em sofrimento.
“A linguagem foi construída muito a partir da verdade, sem tentar romantizar a espera, mas também sem transformar tudo em dor. Existem momentos de medo, de ansiedade, de esperança, de fé. Eu acredito que são justamente esses sentimentos que tornam a história tão humana”, explica.
Para Mafê, o principal objetivo é fazer com que outras pessoas que atravessam situações semelhantes se reconheçam na história.
“Eu espero que elas se sintam acolhidas. Que, em algum momento, olhem para a tela e pensem: ‘Nossa, eu não estou sozinha’. Existe uma cobrança muito grande para a gente ser forte o tempo inteiro”, diz.
“Diário: Do Sonho ao Filho” tem dois episódios publicados por semana no Instagram de Mafê, às terças e quintas-feiras. A websérie acompanha uma história que começou muito antes da gravidez e transforma uma experiência particular em um relato sobre os diferentes caminhos percorridos até a maternidade.
O que é a fertilização in vitro?
A fertilização in vitro (FIV) é uma técnica de reprodução humana assistida em que a fecundação do óvulo pelo espermatozoide ocorre em laboratório. Após a formação e o desenvolvimento inicial do embrião, ele pode ser transferido para o útero para tentar estabelecer a gestação. A Anvisa também diferencia a FIV convencional da ICSI, técnica em que um único espermatozoide é injetado diretamente no óvulo.
A infertilidade é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença do sistema reprodutivo masculino ou feminino e é definida, clinicamente, pela ausência de gravidez após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem proteção. A estimativa mais recente da OMS aponta que cerca de uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva enfrenta infertilidade em algum momento da vida.
No Brasil, o acompanhamento oficial dos procedimentos de reprodução humana assistida é feito pela Anvisa por meio do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), que reúne dados enviados pelos centros especializados, inclusive informações sobre ciclos realizados, gestações clínicas, congelamento de óvulos e embriões e outros procedimentos. Somente em 2020 e 2021, mais de 36 mil gestações clínicas foram obtidas no Brasil por meio dessas técnicas. Em 2021, 114.372 embriões foram congelados no país.

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