Vítima desconfiava que Bezerra rastreava seu celular, diz testemunha

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Atualizada às 12h17 – Thays Machado e Willian Moreno tinham se conhecido pessoalmente no dia em que foram mortos por Carlos Bezerra, à tiros no Consil. A informação foi revelada pelo delegado Marcelo Oliveira, que investigou os homicídios e é uma das testemunhas interrogadas em júri popular realizado nesta sexta-feira (31), no Fórum de Cuiabá.

Segundo o policial, o réu tinha comportamento obsessivo e perseguidor. Houve dias em que Bezerra ligou mais de 40 vezes para a ex-companheira, com quem manteve relação turbulenta.

Em seu depoimento, o delegado pontuou que os colegas do réu foram ouvidos e todos relataram um ciúme excessivo da parte de Carlos Bezerra, com controle dos passos da vítima, ameaça e até tentativa de atropelamento. Na saída de uma boate, o homem investiu com o carro para cima da vítima.

“Você verifica ao longo de uma trajetória de violência. Como o arrombamento da porta da casa da vítima exposto pelo irmão com fotos”, disse a testemunha.

Pistolas semiautomáticas, aparelho de escuta, algema máquina de choque o réu tinha usado na perseguição para intimidar a vítima Thays. Em um dos casos, desesperada, a então servidora do Tribunal de Justiça (TJMT) liga ao 190, pedindo ajuda à polícia.

 

A vítima, Thays Machado, desconfiava de que o ex-companheiro havia colocado rastreador em seu celular. Ela chegou a procurar a delegacia, mas não registrou queixa, pois já havia feito comunicado anterior. Na ocasião, a investigadora que a atendeu, Luciene Benedita Taques de Abreu, disse que viu a mulher reagir para se defender de Carlos Bezerra.

A testemunha disse em juízo que chegou a apontar a arma para ele, mas o réu manobrou o carro e fugiu.

“Vi que dois veículos se aproximavam, um seguindo o outro. Ao perguntar para o primeiro veículo que parou se estavam juntos, ela falou que não, que era o ex-marido que a estava perseguindo. Então ele fez a manobra e foragiu do local. Ela perguntou se havia um delegado na unidade, falei que era investigadora. Ela imaginava que o celular estava com rastreador, porque, segundo a vítima, se não houvesse esse rastreador, não teria como saber assim onde ela estava”, disse a investigadora, que estava de plantão naquele dia, pouco antes da data do duplo homicídio.

Doenças
Antes de começar o júri, a defesa do réu havia requerido à juíza tratamento de saúde fora da prisão para Carlos Bezerra. Desta vez, a alegação era de que o cliente estava com sarna. Mas a juíza negou o pedido e garantiu que “a doença pode ser tratada na cadeia”.

Novamente ele alegou cerceamento da defesa pelo breve tempo para analisar todo o processo, visto que assumiu o caso recentemente. Mas o pedido foi desconsiderado, pois o crime ocorreu há mais de três anos e a defesa protocolou inúmeros processos para protelar o julgamento.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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