
No ano de 2024, um caso que chocou os mato-grossenses e repercutiu também na mídia nacional foi a tentativa de chacina ocorrida em uma residência em Peixoto de Azevedo (691 km ao Norte) no mês de abril. Inês Gemilaki, seu filho Bruno Gemilaki Dal Poz e o cunhado dela, Eder Gonçalves Rodrigues, participaram do homicídio de Pilson Pereira da Silva e Rui Luiz Bog, assim como da tentativa de homicídio contra outras duas pessoas que estavam na casa. O crime foi registrado por câmeras de segurança.
O crime ocorreu no dia 21 de abril. Mãe, filho e cunhado invadiram a casa de “Polaco”, onde acontecia um almoço de aniversário. Inês Gemilaki atirou contra as vítimas e conseguiu matar duas. A família estava envolvida em processos por dívida de aluguel, violência doméstica, entre outros.
Com o andamento das investigações, algumas testemunhas foram ouvidas, entre elas a esposa de Eder. Ela afirmou que seu marido foi coagido por Inês e Bruno para participar do crime. Disse também que foram oferecidos R$ 200 mil pela “cabeça” dos 3. Uma das vítimas que sobreviveu, o padre José Roberto Domingos, se manifestou publicamente sobre o caso dizendo que perdoava os suspeitos.
Eder foi o primeiro a ser preso , juntamente com seu irmão, Márcio Ferreira Gonçalves, marido de Inês, que inicialmente também foi acusado pelo crime. A polícia levou um dia para localizá-los. Em seu depoimento, Márcio disse que fugiu por medo das pessoas que teriam feito ameaças à sua esposa. Ele reforçou que não participou dos homicídios, que só encontrou com Inês, Bruno e seu irmão Eder depois do ocorrido. Contou ainda que Inês havia sido ameaçada no dia anterior, isso por causa de um desentendimento com “Polaco” devido à locação de imóvel.
Inês e Bruno se entregaram à polícia dias após do crime e tiveram a prisão mantida pela Justiça. Apesar da versão de que teria sido coagido a participar do crime, Eder também teve a prisão mantida.
Ainda no mês de abril, o médico Bruno Gemilaki Dal Poz acabou sendo encaminhado para uma cela separada , para que pudesse receber atendimento psicológico dentro da prisão.
Já no mês de maio a defesa de Márcio Ferreira Gonçalves pediu a revogação da prisão dele. O Ministério Público entendeu que Márcio, de fato, não participou do crime e denunciou apenas Inês, Bruno e Eder. A Justiça acabou atendendo ao pedido do marido de Inês e revogou a prisão dele.
Ainda no mês de maio outros depoimentos vieram à tona. Uma amiga da esposa de Eder deu mais detalhes sobre o dia do crime. Ela revelou que, momentos antes de ir para a casa de “Polaco”, Inês estava em um almoço com a família e recebeu uma ligação suspeita. Depois disso o humor dela teria mudado e logo em seguida ela chamou Bruno e Eder para sair.
A denúncia contra Inês, Bruno e Eder foi recebida no dia 8 daquele mês. A defesa de Bruno pediu a soltura dele alegando que sofria ameaças e enfrentava problema psiquiátrico, porém o Tribunal de Justiça manteve ele preso.
Já no final do mês de maio, familiares das vítimas entraram com uma ação contra os 3 réus buscando indenização. Eles pediram o bloqueio dos bens, afirmando que os suspeitos estariam “dilapidando” seu patrimônio.
O Ministério Público foi favorável ao sequestro dos bens, mas no mês de junho a Justiça negou o pedido de bloqueio. Já no final daquele mês o TJMT rejeitou outro pedido de Bruno Gemilaki Dal Poz, que buscava a liberdade.
O médico recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas não obteve sucesso e, no mês de julho, o ministro Og Fernandes manteve a prisão dele. Ainda naquele mês, depois de 3 meses do crime, a 2ª Vara de Peixoto de Azevedo reavaliou os decretos de prisão e decidiu mantê-los, considerando a frieza dos suspeitos.
No mês de agosto o juiz João Zibordi Lara, de Peixoto de Azevedo, proibiu a destruição das armas utilizadas por Inês, Bruno e Eder no dia do crime. Ele disse que o armamento ainda importaria ao processo.
No mês de outubro foi realizada a primeira audiência do caso, ocasião em que foram ouvidas as testemunhas e os réus.
Já no mês de novembro a Justiça negou o pedido de urgência de um dos sobreviventes, que busca indenização de mais de R$ 320 mil por danos morais e materiais. O juiz João Zibordi Lara, da 2ª Vara de Peixoto de Azevedo, disse que apesar do autor da ação alegar que os réus estão dilapidando seu patrimônio com o objetivo de prejudicar eventual indenização, não apresentou elementos concretos que comprovem isso.
O caso
Mãe, filho e cunhado invadiram a casa de “Polaco”, onde acontecia um almoço de aniversário. Inês Gemilaki atirou contra várias vítimas e conseguiu matar duas.
Pilson Pereira da Silva e Rui Luiz Bogo morreram no local. Um padre foi ferido, passou por cirurgia e passa bem. A vítima principal com quem a família tinha desavenças, “Polaco”, não foi atingido. Ele teve lesões por conta dos estilhaços de vidro.
Inês e “Polaco” já tinham um desentendimento. À polícia, a cunhada disse que o homem havia reclamado com Inês quando ela alugava a casa dele, sobre as condições da piscina. Nisso a mulher descobriu que o homem estava vendo as imagens das câmeras de segurança e ela resolveu desligar as câmeras, já que tinha o costume de andar só de calcinha e sutiã. Ela temia que ele já tivesse a visto nua.
O homem então pediu a casa de volta e se iniciou uma briga judicial por cobrança de possíveis prejuízos. O dono da casa perdeu o processo, mas não teria gostado da situação e daí se iniciaram as brigas e ameaças.
A cunhada ainda disse que no sábado (20) Márcio havia ido à casa dela e de seu marido Edson, e disse para não irem mais à residência dele, pois na tarde daquele dia 6 homens teriam ido lá atrás de Inês, dizendo que queriam matá-la. Márcio conversou com estes suspeitos e nada aconteceu.
Investigações mostraram que Inês vinha recebendo cobranças e ameaças e no dia do crime ela teria recebido uma ligação, enquanto estava em uma festa na casa de seu cunhado Edson. Depois do telefonema ela teria mudado seu comportamento e pouco tempo depois chamou Bruno e Edson para ir comprar mais cerveja. Foi neste momento que foram à casa de “Polaco” e cometeram o crime.

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