
A decisão da União Europeia de suspender a compra de carne brasileira pode trazer impactos para o consumidor do país. O superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Cleiton Gauer, admitiu que a medida deve impactar o preço pago aos produtores pela arroba da carne, o que quase sempre é repassado ao consumidor interno.
“Sim [a suspensão pode colocar pressão no valor da arroba], é um desafio, especialmente para aqueles produtores que atendem esse mercado, porque é um mercado de nicho, qualificado e que realmente tem os produtores que atendem a todas as exigências, características e tem um prêmio pago desse tipo de produto, que tendem a ser os mais impactados nesse momento”, afirmou.
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A suspensão da compra de carne brasileira pelos países do bloco europeu entrou em vigor na quinta-feira (03). A alegação é que o Brasil não cumpre parte das medidas sanitárias exigidas pelos países em razão do uso excessivo de antibióticos na produção.
“O produtor já tem feito a sua parte, tem um movimento importante e passa principalmente pela aceitação da documentação e das comprovações de que nós não utilizamos esse tipo de produto na nossa produção. Então não é um movimento que só depende do produtor, depende da cadeia como um todo e, principalmente, do governo em conseguir garantir e comprovar esse mercado e que o mercado europeu aceite essas comprovações”, afirmou Gauer.
Conforme a Famato, apesar de cliente europeu representar 3,4% das exportações do estado, o prejuízo dos produtores que atendem aqueles países é considerável. Isso porque o valor pago pelo produto é maior do que a média praticada no mercado.
De janeiro a julho deste ano, o país adquiriu mais de 130 milhões de dólares. O preço médio pago pelo bloco pela tonelada da carne foi de 6,4 mil dólares, o que é 34,7% a mais do que os 4,7 milhões de dólares pagos pela China, que é a principal compradora de carne de Mato Grosso.
“Esse é um grande desafio, realmente, de recolocar esse produto no mercado, principalmente encaixá-lo em um mercado consumidor que atenda e que remunere na mesma proporção que nós temos. O Brasil tem feito um trabalho com a Coreia do Sul para conseguir abrir esse mercado importante, que remunera na mesma magnitude que nós temos no mercado europeu, mas é um processo contínuo e que precisa de um trabalho mais árduo e que realmente vai demorar um pouco mais de tempo”, explicou o representante da federação.
Os produtores têm a expectativa de que o mercado seja retomado no médio prazo, especialmente pela relevância que a Europa representa para a pecuária nacional.
A reportagem tentou contato com o Instituto Mato-Grossense da Carne (Imac), que informou que não vai se posicionar por se tratar de uma questão política.

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