SOLTAR TERÇA – (EDITADA) Aprosoja critica “gastança” do governo Lula e garante: Produtor não é o vilão da história

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Rodinei Crescêncio/Rdnews

O presidente da Aprosoja Lucas Beber se mostra descontente com os rumos tomados pelo governo Lula (PT). Para ele, as ações tomadas pelo Planalto prejudicam o setor produtivo e também colaboram para o aumento da inflação do país. “Nós evitamos sempre politizar, mas nós dependemos de políticas para o nosso setor. E nós vimos há poucos dias o governo falar que iria desonerar, digamos assim, zerar as tarifas para importação de alimento. Nós olhamos isso com maus olhos”, dispara Lucas, durante visita à sede do , onde concedeu entrevista ao Rdtv Cast e também ao portal.

Na semana passada, o Governo Federal anunciou 16 medidas para baratear os preços dos alimentos ao consumidor final. As ações zeram impostos de importação de itens considerados essenciais, como café, azeite, açúcar, milho, óleo de girassol, sardinha, biscoitos, macarrão e carnes (veja listagem a seguir). Beber reflete que num curto espaço de tempo, medida pode ter efeito, mas que, no médio e longo prazo, pode piorar o preço porque o país acaba perdendo o mercado internacional, em razão da diminuição da produção.

“É algo muito bonito de se falar: “ah, vai baratear o preço dos alimentos. Talvez alguns, num curto prazo, mas temos que lembrar que desincentiva a produção aqui dentro. Não é à toa que Mato Grosso teve diminuição de área, neste ano, deve ficar 6,8 a 7 milhões de hectares de milho e, há dois anos atrás, nós estávamos produzindo quase 7,5 milhões de hectares”, disse Beber ao Rdtv Cast – assista

Neste contexto, ele argumenta que a produção interna do Brasil já sofre uma dura concorrência de outros países, como os Estados Unidos, onde há mais incentivos e subsídios que no Brasil. “O produtor americano tem um seguro agrícola que, de fato, não só garante o custo, como garante a renda dele. E aí nós vamos zerar a tarifa para importar milho que é subsidiado lá fora?”, questiona, lembrando que o setor agrícola brasileiro já foi impactado negativamente recentemente pelos reflexos dos problemas climáticos, principalmente no ano passado.

 “Esse ano a oferta volta a crescer novamente, principalmente de soja, que é uma das principais fontes na ração de produção de proteína animal, seja carne, leite ou ovo. Então, nós temos que olhar para isso”.

O presidente da Aprosoja defende que para você controlar a inflação, a estratégia correta é aumentar a oferta de alimentos por meio de incentivos de políticas agrícolas. Para tanto, ele defende que se aplique um plano safra maior, com juros equalizados menores, para estimular a produção de alimento, aumentando a oferta e diminuindo a inflação.

“Produtor não é o vilão da história, ele é a solução, mas para isso nós precisamos ter políticas. Um ponto muito negativo que provoca a inflação é a alta do dólar e isso é consequência dessa gastança desenfreada do governo federal, que não é favorável à responsabilidade fiscal”, critica, lembrando que, consequentemente, a cotação do dólar sobe e que o preço dos alimentos são atrelados à cotação da moeda. Rodinei Crescêncio/Rdnews

Jornalista Greyce Lima entrevista presidente da Aprosoja Lucas Beber durante o Rdtv Cast

Medidas concretas

Neste contexto, Beber cobra que o governo Lula, de fato, implemente ações concretas e eficientes, como logística através, por exemplo, da construção da Ferrogrão, que impactaria na redução do preço dos fretes.

 “Nós temos que considerar que quando a gente fala em plano safra, em seguro agrícola, que hoje nós não temos um seguro que garante a renda. Se o produtor fizer um seguro da lavoura dele e pegar fogo na lavoura de milho, não vai cobrir nem os custos de produção”, critica.

Apesar de ser numericamente maior que no ano anterior, Beber avalia que o Plano Safra diminuiu quando se leva em consideração a inflação. “Os juros de custeio aqui dentro do Estado de Mato Grosso, os recursos de custeio diminuíram quase 30%. Então você está desincentivando a produção. E ainda o que chamou a atenção foi que o governo aumentou o dinheiro para recursos de juros livres, ou seja, aquele que é repassado para os bancos fazerem os juros que eles bem entenderem. Então o plano safra beneficiou mais o setor bancário do que o setor agrícola”, critica.

O Plano Safra 2024/205 é de R$ 400,59 bilhões, um aumento de 10% em relação à safra anterior. Recentemente, em razão da não aprovação do orçamento deste ano, ainda pendente no Congresso, o governo federal chegou a anunciar a suspensão do programa, mas, após pressão, editou medida provisória liberando recursos.

“Algumas pessoas olham como uma benevolência do governo. O plano safra na verdade não é um dinheiro dado, é um dinheiro emprestado. Os juros do plano safra é um equalizador, é uma régua que ele diz para o mercado, os juros é esse”, frisa.Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

Link da Matéria – via RD News

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