
Mato Grosso registrou queda nos casos de violência sexual em 2025, acompanhando a tendência nacional. Apesar da redução, o estado contabilizou 2.337 vítimas de estupro e estupro de vulnerável ao longo do ano, mantendo índices elevados para um crime que segue atingindo milhares de pessoas. O levantamento é do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23). Sinop (500 km ao Norte) é a terceira cidade do país com maior concentração de violência sexual, atrás apenas de Boa Vista (RR) e Ariquemes (RO).
No estado, foram registrados 670 casos de estupro, redução de 2,2% em relação a 2024. Já os casos de estupro de vulnerável passaram de 2.040 para 1.667, queda de 19,5%, percentual muito superior ao recuo nacional, de 5,2%. Somando as duas modalidades, Mato Grosso apresentou taxa de 60 casos por 100 mil habitantes, abaixo dos 70,8 registrados no ano anterior.
No Brasil, foram contabilizadas 84.388 vítimas de estupro e estupro de vulnerável em 2025, uma redução de 5,4% em comparação com 2024. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública, no entanto, alerta que a diminuição dos registros não significa necessariamente redução da violência, já que o estupro permanece entre os crimes com maior índice de subnotificação e muitas vítimas ainda deixam de procurar a polícia.
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Mulheres concentram quase nove em cada dez vítimas
Assim como ocorre nacionalmente, as mulheres seguem sendo as principais vítimas da violência sexual em Mato Grosso. Em todo o país, elas representam 87,8% dos alvos dos crimes de estupro e estupro de vulnerável. Somente entre mulheres foram registrados 74.083 casos em 2025.
Em Mato Grosso, as vítimas mulheres passaram de 2.358 para 2.060, uma redução de 14%, mas a taxa permanece alta: 106,5 vítimas para cada 100 mil mulheres, uma das maiores do país. Apenas Roraima, Acre, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Pará, Tocantins, Paraná e Santa Catarina apresentaram índices superiores.
Crianças e adolescentes continuam sendo as principais vítimas
O principal recorte da violência sexual continua sendo a infância e a adolescência. Em 2025, 77% de todos os registros no Brasil foram classificados como estupro de vulnerável, ou seja, crimes cometidos contra menores de 14 anos ou pessoas incapazes de oferecer consentimento. Foram 64.990 ocorrências em todo o país.
O Anuário mostra que 42,5% das vítimas têm entre 10 e 13 anos, enquanto 21,9% possuem entre 5 e 9 anos e 12,9% têm até quatro anos de idade. A violência acontece, principalmente, dentro de casa: 64,9% dos estupros de vulnerável ocorreram na residência, e 59,2% dos autores eram familiares da vítima.
Em Mato Grosso, embora tenha ocorrido redução de 19,5% nos casos de estupro de vulnerável, o estado ainda registrou 1.667 vítimas em apenas um ano, reforçando que crianças e adolescentes permanecem como o grupo mais vulnerável.
Homens também são vítimas, mas casos seguem subnotificados
Embora representem parcela menor dos registros, homens e meninos também sofrem violência sexual. Nacionalmente, eles correspondem a 12,2% das vítimas totais, sendo 6,7% dos casos de estupro e 14,4% dos registros de estupro de vulnerável. O Fórum ressalta que o estigma e a vergonha ainda dificultam a denúncia, fazendo com que a subnotificação seja considerada ainda maior entre vítimas do sexo masculino.
Sinop aparece entre as maiores taxas do país
O levantamento também chama atenção para a realidade de Sinop (500 km ao Norte). O município ocupa a 3ª posição entre as cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes e as maiores taxas de estupro e estupro de vulnerável, registrando 91,2 casos por 100 mil habitantes.
À frente de Sinop aparecem apenas Boa Vista (RR) e Ariquemes (RO), reforçando que o município mato-grossense figura entre os principais pontos de preocupação nacional em relação à violência sexual.
Redução exige cautela
Apesar da queda registrada em Mato Grosso e no Brasil, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública destaca que os números precisam ser interpretados com cautela. Em um crime marcado pela subnotificação, menos boletins de ocorrência não significam necessariamente menos violência. O fortalecimento da rede de proteção, a ampliação dos canais de denúncia e o atendimento humanizado às vítimas seguem sendo apontados como medidas fundamentais para enfrentar uma violência que continua atingindo, sobretudo, mulheres, crianças e adolescentes.

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