
O presidente do MDB de Mato Grosso Carlos Bezerra, que está deixando a vida pública aos 83 anos, após 60 anos de militância ininterrupta, se considera um político comprometido com o bem-estar social. Por isso, já foi acusado de esquerdista pelos adversários, rótulo que não rejeita por conta da formação ideológica.
“Se corrigir injustiças é ser esquerdista, então sou de esquerda. Sempre trabalhei por conta do bem-estar social, disse Carlos Bezerra ao , destacando seu compromisso com os direitos trabalhistas e a reforma agrária.
Rodinei CrescêncioRdnews
Carlos Bezerra é autor da Proposta de Emenda Constitucional (PEC), promulgada em 2013, que garante aos empregados domésticos direitos já assegurados aos demais trabalhadores. A proposta articulada pelo emedebista, é vista, por muitos, como uma segunda abolição da escravatura.
“Sempre trabalhei pelos menos favorecidos, mas o mais importante deles foi a PEC das Domésticas, que alcançou oito milhões de trabalhadores que não tinham direito às garantias sociais. Como sou muito respeitado no Congresso, articulei e consegui aprovar”, lembra.
Em relação a reforma agrária, Bezerra diz se orgulhar de ter assentado 190 mil famílias no período em que governo Mato Grosso, entre 1986 e 1990. No entanto, lamenta que as injustiças no campo ainda persistem no Brasil.
“Aqui no Brasil exista e ainda existe muita injustiça, brutalidade. O trabalhador não tinha direito a um pedaço de terra, era assassinado, era preso. Antes de eu assumir, a PM matou 17 trabalhadores rurais em Jauru. Depois eu assumi o governo e desapropriei, a área disputada hoje é dos trabalhadores. Tem uma cooperativa muito boa lá. Esses assentamentos que nós fizemos, das 190 mil famílias no estado, isso, para mim, é uma coisa das mais gratificantes”, completou.
Além disso, Bezerra lembra que sua base ideológica está no livro Bases e Sugestões Para Uma Política Social, de Alberto Pasqualini. O autor foi o principal teórico do trabalhismo de Getúlio Vargas, levado adiante por Leonel Brizola.
“Sempre tive essa linha política, desde os oito anos de idade, quando eu vi Getúlio Vargas e as pessoas desmaiando na Praça da República. Desde lá, até hoje, a minha linha é essa. Sempre de cabeça erguida, ficha limpa e prestando um serviço a Mato Grosso que ninguém prestou”, concluiu o emedebista.
Além de governador, Carlos Bezerra ocupou diversos cargos eletivos. Foi vereador, prefeito de Rondonópolis, deputado estadual, deputado federal e senador.

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