
Rodinei Crescêncio/Rdnews
No último sábado, 8 de março, celebramos o Dia Internacional da Mulher, uma data que vai além da homenagem, servindo como um lembrete da importância dos cuidados com a saúde feminina. No campo da ortopedia, as mulheres apresentam particularidades que merecem atenção especial, seja pelo impacto hormonal no sistema musculoesquelético, pela predisposição a certas lesões ou pela sobrecarga física imposta pelo dia a dia.
A anatomia e a fisiologia das mulheres influenciam diretamente sua saúde ortopédica. Algumas características que aumentam o risco de lesões incluem:
• Maior frouxidão ligamentar: devido à ação dos hormônios estrogênio e relaxina, o que pode predispor a entorses e instabilidades articulares.
• Menor densidade óssea: a osteoporose é mais prevalente entre as mulheres, especialmente após a menopausa, aumentando o risco de fraturas.
• Diferenças na biomecânica: o quadril feminino é mais largo, alterando o alinhamento dos joelhos e tornando algumas articulações mais suscetíveis a sobrecarga.
• Flutuações hormonais: impactam diretamente a resistência muscular e a recuperação de lesões.
Lesões ortopédicas mais comuns entre as mulheres:
Síndrome da Dor Patelofemoral
Conhecida como “joelho de corredor”, essa condição é mais frequente em mulheres devido ao ângulo maior do quadril em relação ao joelho, levando a um desgaste desigual da cartilagem.
Lesões do Ligamento Cruzado Anterior (LCA)
As mulheres têm até 8 vezes mais chances de romper o LCA em comparação com os homens. Fatores como a biomecânica, a frouxidão ligamentar e a força muscular contribuem para essa maior vulnerabilidade.
Osteoporose e fraturas
A redução da densidade óssea, especialmente após a menopausa, torna os ossos mais frágeis, aumentando o risco de fraturas no fêmur, punho e coluna.
Tendinite do Manguito Rotador
Lesões no ombro são frequentes em mulheres que realizam atividades repetitivas, seja no trabalho, na prática esportiva ou nas tarefas domésticas.
Síndrome do Túnel do Carpo
Mais comum em mulheres, essa condição está associada a compressão do nervo mediano no punho, gerando dormência e dor nas mãos, frequentemente relacionada ao uso excessivo de computadores e celulares.
Como prevenir e tratar as lesões ortopédicas?
A prevenção e o tratamento dessas condições exigem um olhar individualizado e baseado em estratégias que incluem:
Atividade Física e Fortalecimento Muscular
Exercícios que priorizam o equilíbrio muscular e a estabilização articular ajudam a reduzir o risco de lesões. O pilates, a musculação e o treinamento funcional são ótimos aliados.
Suplementação e Alimentação
Uma dieta rica em cálcio e vitamina D é essencial para manter a saúde óssea e prevenir a osteoporose. A orientação de um nutricionista pode fazer toda a diferença.
Fisioterapia e Medicina Regenerativa
Tratamentos como a terapia por ondas de choque, infiltrações com ácido hialurônico e plasma rico em plaquetas (PRP) têm mostrado excelentes resultados na reabilitação de lesões, proporcionando alívio da dor e melhora funcional.
Atenção à Postura e Ergonomia
Muitas mulheres acumulam longas jornadas de trabalho, tanto dentro quanto fora de casa. Ajustar a postura, investir em cadeiras ergonômicas e fazer pausas regulares podem prevenir dores e lesões por sobrecarga.
Se você, mulher, sente dores articulares, tem dúvidas sobre sua saúde musculoesquelética ou quer saber mais sobre tratamentos inovadores, procure um especialista. Você merece se sentir forte, ativa e saudável todos os dias do ano!
Fellipe Ferreira Valle é formado em medicina pela Universidade de Medicina de Teresópolis -RJ, realizando posteriormente residência médica em ortopedia na Santa Casa de Belo Horizonte onde também realizou especialização em cirurgia do joelho e cirurgia do ombro e cotovelo. É também membro fundador da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual e Socio efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Professor de medicina na UNIVAG e preceptor da residência de ortopedia da UNIC. Instagram :@dr.fellipe

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