‘Samu não vai acabar’, diz secretário; deputados querem recomposição do serviço

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“O Serviço de atendimento Móvel de Urgência (Samu) não vai acabar.” Foi com essa sinalização que o secretário de Estado de Saúde, Juliano Melo, tentou afastar os temores em torno do futuro do Samu durante reunião da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, realizada nesta quarta-feira (22), para discutir a organização do atendimento pré-hospitalar no Estado com as categorias envolvidas, entre elas, o Corpo de Bombeiros. 

 

Segundo o secretário não há espaço, neste momento, para disputa institucional. “Neste olhar, nós estamos muito convictos da melhora do processo, e posso garantir que a contaminação que houve em outros momentos em relação à questão de vaidade de ‘o Samu é meu’ ou ‘vamos acabar com o Samu’ não existe nesta etapa. É uma cooperação muito bem feita, escrita, madura neste aspecto e já tem os resultados para mostrar, ainda preliminar, porque existe planejamento desses resultados serem bem melhores até o ano que vem, em relação às unidades do Samu, e todo esse respaldo que tem para ampliar esse resultado para todo o Estado”. 

Servidora do Samu, Patrícia Figueiredo, por sua vez, fez a defesa da estrutura já existente e criticou a condução recente da política estadual para o setor. “Vamos valorizar o que nós já temos, o que já existe e funciona, a gente não precisa fechar ou não renovar contratos porque queremos valorizar outra instituição, as duas instituições podem trabalhar juntas. Infelizmente, o que nós temos visto nos últimos dias não é isso, nós estamos aqui para defender o serviço”.

Dados apresentados por Patrícia durante a reunião reforçaram a preocupação com o esvaziamento do Samu. Conforme a exposição, em julho de 2025 o serviço contava com 12 unidades, número que caiu para sete em março de 2026. No comparativo operacional, o Samu tinha 66,7% das unidades em funcionamento em julho do ano passado, contra 33,3% do Corpo de Bombeiros. Já em março deste ano, o cenário se inverteu e passou a 35%, enquanto os bombeiros chegaram a 65%, o que representa redução de 41,7% na participação do serviço de urgência e ampliação de 116,7% da fatia ocupada pela corporação militar.

 

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O debate ganhou tom político com a manifestação do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), que defendeu a recomposição imediata da força de trabalho e criticou a criação de um impasse que, segundo ele, poderia ter sido evitado.

“Quero utilizar esse espaço para fazer encaminhamentos, resolver o problema que não deveria estar existindo, caso o Estado tivesse renovado os contratos de 56 servidores que atuam no Samu. O Estado tem muitos problemas, não temos que ficar inventando novos problemas, e sim resolver os existentes. O Samu é parte integrante, indivisível da rede de atenção às urgências no Brasil, que obedece a normas técnicas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, que têm que ser integralmente cumpridas por estados e municípios”, destacou.

 

Lúdio continuou e explicou que “o Samu tem que ser da Saúde, da Secretaria de Estado de Saúde, embora o Corpo de Bombeiros seja importantíssimo, e haja necessidade do fortalecimento do papel do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, tem profissionais muito qualificados para poder atuar naquilo que lhe diz respeito. O governo, da forma que se posiciona, propõe o confronto entre duas categorias que são muito importantes para a população. No caso da rede de atenção às urgências e emergências, ao atendimento pré-hospitalar cabe ao Corpo de Bombeiros participar de forma complementar, obedecendo as normas de saúde”.

 

Também presente na discussão, a deputada estadual Janaina Riva (MDB) rebateu a leitura de que a defesa do Samu significaria oposição ao Corpo de Bombeiros e afirmou que a categoria vem sendo injustiçada.

 

“O problema é o seguinte, querem fazer de uma discussão técnica uma pauta política, querem colocar como se todos nós do Samu estivéssemos contra o Corpo de Bombeiros, e vocês querem que, enquanto deputados, a gente fique aqui assistindo a categoria ser massacrada, desmantelada, chamada de incompetente, sabendo todos nós que isso não é verdade, e que a gente fique aqui batendo palma para isso. Quer dizer então, para eu defender o Samu eu não posso ser defensora dos bombeiros? Não posso defender que cada um atue na sua área? Aliás, defendo até que o efetivo é insuficiente do Corpo de Bombeiros, perto do trabalho que tem. Eu não sou filha de pai assustado, não tenho medo de quem fala alto e forte, sou uma defensora da justiça. O Samu está sendo injustiçado no estado de Mato Grosso”, indignou-se a deputada.

 

Em defesa dos servidores, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde do Estado de Mato Grosso (Sisma-MT), Carlos Mesquita de Magalhães, afirmou que a precarização atinge diretamente a população e apontou a existência de cinco unidades fora de operação.

 

“Gostaria de frisar, o maior patrimônio que um ser humano pode ter é a sua saúde. Infelizmente, o que a gente observa não é isso, porque eu vejo somente questão de discurso, de marketing. É triste eu, como servidor da saúde, ver como a situação da saúde de Mato Grosso se encontra. Investimento é importante na área de saúde porque tem que ter um planejamento. Neste exato momento existem cinco unidades baixadas, ou seja, sem funcionamento”, disse Carlos.

 

Ele também ressaltou que “ambulância pode ficar o dia todo parada, mas na hora em que seja preciso ela tem que estar à disposição, a população está sofrendo. Por falta de pessoal essas unidades estão baixadas, o governo do Estado obrigou eles, na época da pandemia, a trabalhar igual condenado, e hoje são descartados. Que infelicidade que eu tenho de presenciar uma coisa dessa”. 

 

Ao fim da reunião, o deputado estadual Dr. João (MDB) afirmou que o encontro abriu caminho para novos encaminhamentos e confirmou uma nova rodada de discussão já na próxima terça-feira (28), desta vez com representante do Ministério da Saúde.

 

“Hoje foi muito bom porque teve diálogo, todo mundo se colocou, então essa reunião na próxima terça-feira com o representante do Ministério da Saúde vai ser muito proveitosa. O que queremos é o retorno imediato desses 56 servidores que foram demitidos. Afinal, quanto mais pessoal melhor, quanto mais ambulâncias, quanto mais tudo para o serviço médico de urgência será importante, porque você vai ter muita rapidez e mais eficiência. Isso é muito importante, mas não como o governador falou para diminuir custo; na saúde você não diminui custo, você organiza, melhora, você tem que dar uma qualidade de vida excepcional para a população”. 

 

Entre os pontos definidos na reunião estão a revisão da situação dos 56 servidores demitidos, a discussão sobre as cinco unidades baixadas, a participação efetiva do Samu na cooperação técnica e a convocação de novos profissionais já aprovados em concurso público. 

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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