
A deputada federal Rosa Neide (PT) contestou a leitura de que Mato Grosso consolida hegemonia eleitoral de direita após as eleições de 4 de outubro. Segunda mais votada na disputa pela Câmara Federal, a petista usou o próprio desempenho nas urnas para sustentar que a centro-esquerda mantém espaço político no Estado, mesmo diante da predominância de grupos conservadores e da dificuldade de disputar em condições semelhantes às de adversários com maior estrutura eleitoral.
Em entrevista ao , Rosa Neide afirmou que a ideia de que apenas um campo político tem força em Mato Grosso não corresponde à realidade demonstrada pelas urnas. Como exemplo, a deputada também ressaltou que estava fora do mandato parlamentar nos últimos quatro anos e ainda assim obteve resultado expressivos dos eleitores.
Lúdio recebeu 86.107 votos e ficou próximo de Max Russi (Podemos), que terminou a disputa com 86.934 votos.
“Toda unanimidade é burra, né? Quando as pessoas acham que vai ter só um lado, é porque não reflete. Eu considero o Lúdio como o mais votado, diante da campanha pequena, e da pouca diferença do primeiro colocado […] Eu também estava fora do mandato, sem emendas, e a população me deu a segunda maior votação para a deputada federal, isso é muito importante”, declarou.
Para Rosa, os resultados contrariam a percepção de que o eleitorado mato-grossense estaria fechado a candidaturas bolsonaristas.
“O partido vai continuar forte, a centro-esquerda no Estado continuar muito forte, e a gente vai continuar fazendo a luta”, emendou.
Em Mato Grosso, as coligações realizadas pelo campo foram históricas diante do passado político do grupo. Na candidatura de Doutora Natasha (PSD) ao governo do Estado, o campo conseguiu reunir oito partidos: PSD, PT, PDT, Rede, PSOL, PSB, PT, PC do B e PV. Para o Senado, a chapa lançou Pedro Taques (PSB) e Carlos Fávaro (PSD). As apostas majoritárias não saíram vitóriosas, mas foram bem avaliadas nacionalmente pelo amplo campo de alianças.
Na Assembleia Legislativa o saldo foi positivo. O PT conseguiu reeleger Lúdio Cabral e Valdir Barranco. Na Câmara Federal recuperaram a cadeira de Rosa Neide.

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