
Após o esvaziamento das sessões na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), onde seria votado o reajuste de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário, o presidente do Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (Sinjusmat), Rosenwal Rodrigues, criticou a ausência de quórum na última semana e acusou o governo estadual de manobras políticas para evitar o cumprimento de uma decisão judicial. Para ele, a falta de deputados na sessão que votaria a derrubada do veto ao projeto foi uma estratégia articulada para blindar o Executivo.
“Na hora que o governador veta, ele se esconde embaixo da mesa e vota com o governo do Estado. […] Não havia mais razão para existir o voto secreto dentro do Estado de Mato Grosso na Assembleia Legislativa. E com esse tipo de conchavos que teve, até mesmo a pedido do ex-governador, agora também a pedido do atual governador, que é sequência do governo Mauro Mendes, é o que nos levou a buscar realmente a Justiça dentro do estado para fazer valer o direito de não ter mais voto secreto na Assembleia Legislativa”, afirmou o presidente ao Jornal do Meio-Dia desta segunda-feira (14).
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Rodrigues também rebateu o argumento de que o reajuste comprometeria as contas públicas, enfatizando que o Judiciário possui autonomia orçamentária e recursos próprios aprovados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Para o presidente, a resistência do governo reflete um modelo de gestão do ex-governador, Mauro Mendes (União), que desprezaria o funcionalismo e buscaria evitar desgastes políticos.
“[O sentimento] é frustração, né? Porque, desde dezembro, era para a gente estar com esse ganho salarial de 6,8% do nosso salário. Então a gente vê essas manobras, essa politicagem que tem que acabar dentro do estado de Mato Grosso, sendo usada. E nós, servidores, também sendo usados para essa manobra. E por que está sendo usado? Porque o governo do Estado, o ex-governador Mauro Mendes, bem como o atual, querem fugir do calote que estão dando ao RGA dos servidores públicos”, denunciou.
Diante da falta de quórum, o sindicato acionou novamente a Justiça, solicitando ao desembargador relator Márcio Vidal a convocação de uma sessão extraordinária com intimação direta ao presidente da ALMT, Max Russi (Podemos). Para a entidade, o boicote à votação configura claro desafio ao Poder Judiciário.
“E agora vem o presidente Max dizendo: ‘olha, eu estou cumprindo a ordem’. Mas cumprindo a ordem do quê? Você ajuda a esvaziar. Quer dizer, por que você não ajuda a trazer? Fala: ‘olha, vamos cumprir uma ordem judicial’. […] Ordem judicial não tem que discutir, você tem que cumprir”, concluiu Rodrigues, cobrando transparência dos parlamentares e reforçando que a categoria continuará mobilizada em defesa de seus direitos.

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