Protestos na Bolívia testam o governo do presidente durante fragilidade econômica

Imagem

Marchas de transportadores, mineiros, camponeses, professores.

 

Todas estas e outras manifestações convergem em uma semana de agitação social na Bolívia, a poucos dias de o presidente Rodrigo Paz completar seus primeiros seis meses no cargo com uma posição enfraquecida e uma economia que não decola.

 

Leia mais- Brasileiros que estavam em flotilha foram interceptados pelos militares israelenses

 

A COB (Central Operária Boliviana), o principal sindicato do país, rejeitou na terça-feira (28) a proposta do governo de uma mesa de diálogo por considerar que a oferta chegou muito tarde, quando já está convocado um conselho aberto para a sexta-feira (1) de maio em El Alto para definir novas medidas de pressão.

“Será um momento decisivo, onde se consolidará uma agenda nacional para exigir soluções para as problemáticas do país”, adiantou em conferência de imprensa Mario Argollo, secretário executivo da COB.

No final de março, a Central pediu para aumentar em 20% o salário básico para recuperar o poder aquisitivo frente à inflação, o que foi rejeitado pelo Governo, que lembrou que já houve um aumento de 20% em janeiro até os US$ 474 (cerca de R$ 2 mil, na cotação atual).

 

“Os protestos se juntaram a partir de diferentes demandas setoriais. Se o governo não desativar os conflitos, isso pode se tornar uma espécie de pauta ou petição nacional.

 

Isso vai representar um problema maior para ele”, disse à CNN Internacional o cientista político Marcelo Arequipa, professor da UMSA (Universidade Maior de San Andrés).

 

Paz assumiu, após 20 anos quase ininterruptos de gestão do MAS (Movimento ao Socialismo), que construiu uma base de apoio em estreita aliança com sindicatos e organizações camponesas, o que lhe permitiu conter conflitos e canalizar as demandas de forma interna.

 

Para Arequipa, Paz mantém a linha dos primeiros meses de sua gestão, nos quais não traçou uma articulação direta ou por meio de operadores com vários setores.

 

“Ainda é errática, não tem conexão com a rua e nem no Legislativo. (Os diferentes setores) estão a caminho de se articular e se consolidar, isso vai acabar ocorrendo em 1º de maio e é um risco no sentido de sua governabilidade.

 

Não tanto para que o Governo caia, mas para que fique muito abalado e bastante fraco”, advertiu.

 

O país enfrentou 176 eventos de conflito no primeiro trimestre de 2026, segundo registrou a Defensoria do Povo, que alertou sobre os riscos de governança.

 

O defensor Pedro Callisaya instou ao Governo a dialogar com os diversos atores políticos, empresariais e sindicais para lhes explicar seus planos e prazos, com o objetivo de “concordar com uma agenda nacional e reduzir a tensão social, enfatizando o diálogo social”.

 

Por sua vez, Paz mostra-se disposto ao diálogo, mas sem ceder. “Não tenho medo das mobilizações. Sou um construtor da democracia que cresceu entre marchas e lideranças históricas. Não me assusta o movimento nas ruas”, disse no sábado (25) em uma mensagem no Facebook.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será publicado.


*