
O professor e analista político, Vinicius de Carvalho, avaliou que o cenário de polarização entre esquerda x direita no páreo entre Lúdio Cabral (PT) e Abilio Brunini (PL), que disputarão o segundo turno à Prefeitura de Cuiabá , pode “forçar” a ida dos eleitores às urnas no dia 27 de outubro. No primeiro turno, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), informou que 102 mil eleitores cuiabanos não saíram de casa para votar.
TSE
Em entrevista ao , Vinicius pontuou que a abstenção ficou “dentro da média”, correspondendo a 22,9% do total de eleitores aptos, e salientou que, historicamente, a tendência é de que o aumento de ausência ocorra no segundo turno. No entanto, ele acredita que a polarização pode mudar esta tendência: “O padrão é, no segundo turno, a abstenção, branco e nulo subirem, porque não tem [escolha de] vereador e vereadora. Muita gente vai mais focado no vereador e vereadora. E tem aqueles eleitores que rejeitam os dois [Abílio e Lúdio]”, explica.
O analista compara o cenário com as eleições de 2022, para presidente do país, entre Lula (PT) e Bolsonaro (PL). “Na eleição presidencial, muita gente que não tinha ido votar no primeiro turno, foi votar no segundo. Porque é uma eleição muito apertada, muito acirrada, realmente, cada voto fez a diferença. Foi uma diferença muito estreita entre o Lula e o Bolsonaro. Esse fenômeno pode acontecer com Cuiabá, de a abstenção cair. Se eu [eleitor] estou vendo polarização, cada voto faz diferença, especificamente no colégio eleitoral menor, eles podem mobilizar gente”, comentou.
Caso a abstenção se mantenha dentro da média do primeiro turno, próxima dos 20%, o analista reiterou que Lúdio e Abilio estarão diretamente nas mãos dos votos computados no primeiro turno para Eduardo Botelho (União Brasil) e Domingos Kennedy (MDB), que se somados, chegam a 91 mil. Neste cenário, mesmo com Botelho se declarando “neutro”, seus votos se dividirão. Rodinei Crescêncio
“O que vai decidir, a grosso modo, são os eleitores do Kennedy e do Botelho. Os do Kennedy vão para o Lúdio, na maioria. Os do Botelho vão se dividir. A decisão vai estar nos eleitores do Botelho. Para onde eles forem, sai o vitorioso. Lembrando que a tarefa do Lúdio é muito difícil”, expôs.
Lúdio precisa tirar uma vantagem de aproximadamente 36 mil. No primeiro turno, o petista somou 90.719, enquanto Abilio, fez 126.944. Ainda neste cenário de polarização, o eleitor pode ser mais “instigado”, com a presença confirmada de Jair Bolsonaro (PL) em Cuiabá na segunda-feira (14). Já Lula (PT), ainda não garantiu apoio ao aliado.
Abstenção não foi determinante
O cientista político analisou ainda que a abstenção não foi um fator determinante para o fracasso de Botelho nas urnas, mesmo ele estando como líder nas pesquisas. A diferença entre Lúdio e Botelho ficou em 1.742 votos, ou seja, menos de 1% de diferença (28,3% e 27,7%, respectivamente).
De acordo com o professor, houve falhas graves de estratégia na campanha de Botelho e certa ‘soberba’, o que influenciou diretamente a derrota. Em todos os debates, Botelho esteve exposto, sendo alvo de Abilio, Lúdio e até Kennedy: “As contradições e as fragilidades cobraram o seu preço. E, sobretudo, o favoritismo. A inexperiência do Botelho também [contou]. Abilio e o Lúdio já foram candidatos à majoritária”, pondera. Vinicius acredita que os ataques dos adversários na questão de corrupção e emendas da Assembleia Legislativa também influenciaram bastante.
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