PM que estava foragido se entrega na DHPP e fica em silêncio em interrogatório

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O 3º Sargento da PM Heron Teixeira Pena Vieira , um dos alvos da Operação Office Crimes – A Outra Face , que estava foragido, se entregou no final da tarde desta sexta-feira (07) na Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), em Cuiabá. Ele é suspeito de envolvimento na execução do advogado Renato Nery, ocorrido em julho de 2024.

A informação foi confirmada ao pelos delegados Bruno Abreu e Caio Albuquerque, que estão à frente do caso. Segundo Caio, o militar usou seu direito de permanecer em silêncio e será apresentado em audiência de custódia. 

Rodinei Crescêncio/Rdnews

O militar entrou para a corporação em 2008 e passou a trabalhar na inteligência da Força Tática em novembro de 2016, onde permanece lotado. De acordo com o Portal Transparência do Governo do Estado, o salário atual de Heron ultrapassa R$ 11 mil.

Durante a operação nesta quinta-feira, o caseiro de uma chácara do bairro Capão Grande, em Várzea Grande, Alex Roberto de Queiroz Silva, acusado de ser o atirador que vitimou Renato foi preso, assim como os policiais militares Wailson Alesandro Medeiros Ramos – que é ex-segurança do governador Mauro Mendes (União) -, Wekcerlley Benevides de Oliveira,  Jorge Rodrigo Martins e Leandro Cardoso. 

Heron, que também tinha um mandado de prisão a ser cumprido contra ele, teria fugido de casa horas antes da operação, alegando que “iria pescar”.

PM tem histórico como alvo de operações

Heron foi alvo da Operação Simulacrum , deflagrada em 31 de março de 2022 pela Polícia Civil e o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) para cumprimento de 81 mandados de prisão temporária contra policiais militares investigados por homicídios. Também foram cumpridos 34 mandados de busca e apreensão e de medidas cautelares diversas.

De acordo com as investigações, os policiais alvos da operação integravam a milícia e supostamente simulavam falsos “confrontos” em Cuiabá e Várzea Grande, que teriam levado à morte das 24 pessoas. 

Ele também foi alvo, em maio de 2023, da Operação Camada II, deflagrada pela Polícia Federal. Na ocasião, Heron foi preso por utilizar do cargo enquanto PM para associação ao tráfico de cocaína que tinha início no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, em Várzea Grande. Além disso, o militar também teria participado de lavagem de dinheiro, junto ao grupo criminoso.

Conforme denúncia do MPMT, Heron seria integrante do grupo, onde foram identificadas trocas de mensagens com negociações de fornecimento e transporte de drogas, sendo o militar beneficiário de transferências bancárias por meio de “triangulação na rota do dinheiro”, ou seja, não era enviado diretamente para Heron e sim desviado, passando por diversas contas, até chegar a ele, ou aos seus.   

Em março de 2024, o juiz Moacir Rogério Tortato da 3ª Vara Criminal de Várzea Grande condenou Heron por associação para o tráfico e também lavagem de dinheiro sob a pena de 8 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão, em regime fechado, e 1.701 dias multa. 

Em sua decisão, o magistrado havia imposto também a perda do cargo de policial militar “tendo em vista a utilização do cargo para beneficiar-se e também a terceiros na prática delitiva, permanecendo inerte quando tinha o dever de agir para cessar a prática criminosa, não o fazendo, pelo contrário, associou-se aos demais réus para o tráfico de drogas”. Entretanto, a defesa do militar apresentou um recurso de apelação, que foi aceito pelo Juízo.

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Link da Matéria – via RD News

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