
O médico perito judicial Fernando Alves Esbérard Leite, contratado pela defesa do capitão Daniel Alves de Moura, afirmou, nesta quarta-feira (18), que o aluno soldado bombeiro militar Lucas Veloso Peres teve uma morte súbita cardíaca e que é “praticamente impossível” distinguir se o jovem morreu por afogamento. Lucas morreu durante um treinamento na Lagoa Trevisan , em Cuiabá, há quase um ano. O capitão Daniel Alves, que ministrava o curso, é acusado de afogar o jovem sucessivamente durante o treinamento. João Aguiar/Rdnews
O capitão Daniel Alves de Moura (à direita), durante audiência de instrução realizada nesta quarta-feira (19)
Durante a 2ª audiência de instrução e julgamento, onde apenas as testemunhas de defesa de Daniel – réu no processo – poderiam falar, Esbérard, que está como assistente técnico de defesa, afirmou que Lucas tinha essa condição médica que comprimia o coração, levando a um aumento da massa muscular do órgão, podendo aumentar ou diminuir expressivamente os batimentos e levando a sintomas como palpitações, tontura, falta de ar, cansaço, fraqueza e entre outros. O médico apontou que tal condição, conforme consta no edital para o treinamento, é incapacitante, ou seja, Lucas não deveria ter sido considerado apto para a admissão no curso.
Sobre a causa da morte, o médico explicou que quando uma pessoa tem uma parada cardíaca dentro da água, o corpo vai afundar, fazendo com que a água entre nas vias aéreas e, consequentemente, o líquido vai para o pulmão. Ainda segundo o perito, quando a pessoa é retirada da água e passa pela manobra de ressuscitação, que são as massagens cardíacas, isso pode provocar “sinais idênticos ao afogamento”.
“É muito difícil, praticamente impossível de se distinguir uma morte súbita cardíaca de um afogamento. Porque o que você vai ter são características de afogamento. E, na necropsia, você não vai mais poder constatar a arritmia”, argumentou. Arquivo Pessoal
Lucas Veloso morreu durante um treinamento na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, há quase um ano
Estômago vazio
Outro ponto destacado pelo perito é de que Lucas não teria comido antes do treinamento, somado às medicações controladas que o aluno tomava, o que rteria feito com que a glicemia ficasse baixa.
“Então, esse estômago dele vazio no momento desse exercício, sem absolutamente nenhum conteúdo, pode indicar que ele foi fazer essa atividade que lhe foi ensinada, sem tomar um café da manhã, e sem ter glicose suficiente no organismo dele, para essa atividade. E isso aí pode ter causado fraqueza, cansaço, potencializado pelos remédios, e a falta de glicose que também favorecem a concorrência que a gente se dirige”, explicou.
Relembre o caso
Lucas Veloso era natural de Goiás e estava fazendo um treinamento de salvamento aquático, no dia 27 de fevereiro, quando teria se afogado. A vítima foi levada ao Hospital H-Bento, mas não respondeu às tentativas médicas e teve o óbito declarado. Ele foi enterrado em Caiapônia (GO).
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) abriu investigação sobre o caso e prometeu aprimorar as condições de cursos do Corpo de Bombeiros.
Em julho de 2024, o juiz Moacir Rogério Tortato, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, recebeu a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), contra o capitão Daniel Alves de Moura e Silva e o soldado Kayk Gomes dos Santos, pela morte do aluno Lucas. Kayk estava como auxiliar de Daniel no curso de preparação.
Lucas não é o primeiro aluno a morrer durante um treinamento dos Bombeiros. Em 2016, o aluno Rodrigo Claro morreu durante atividades aquáticas, também na Lagoa Trevisan. A responsável pelo treinamento, a tenente Izadora Ledur , foi acusada de maus-tratos contra Rodrigo, mas teve a condenação prescrita.
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