
Brinquedos artesanais se tornaram um nicho de mercado focado na exclusividade. Comercializados principalmente em feiras de artesanato, os produtos oferecem uma qualidade superior aos industrializados e mais segurança para as crianças. No segmento, o cuidado com os mínimos detalhes faz toda a diferença.
Em conversa com o , a artesã Gilmara Lisboa contou que começou a trabalhar com arte em 2015, como uma forma de complementar a renda da família. Ela começou com coisas simples, com EVA e depois foi evoluindo até descobrir que tinha talento para a produção de produtos focados na temática da maternidade e em bonecos. Claro que, até chegar nesse ponto, ela precisou se especializar.
“É claro que só cursos não bastam se você não tiver o dom do artesanato na mão, e eu tenho, com meus lindos bichinhos de pelúcia e bonecas. Minha mãe era costureira e crocheteira de mão cheia, meu dom veio dela”, disse.
Montagem/GD
Bonecos são produzidos por artesã, com preços por volta dos R$ 180,00.
Ela conta que o seu produto mais vendido atualmente são os bonecos de capivaras. E elas usam roupas temáticas: de Natal, festas juninas e até Copa do Mundo.
“Depois delas, vêm os ursinhos de pelúcia. Eu tenho as bonecas também, tudo feito no tecido. Procuro sempre colocar tecidos de qualidade e hipoalergênicos, porque trabalho com produtos para bebês, para crianças”, explicou.
Para ela, a grande diferença das bonecas que ela produz são justamente o cuidado diferenciado e o amor depositado na produção. “O [brinquedo] manual você faz peça por peça e cada um sai diferente do outro, nenhum é igual ao outro. Agora os industrializados são feitos por máquinas, um atrás do outro e sempre muito iguais”, disse.
Ela conta que leva um tempo até conseguir viver exclusivamente da produção de artesanato, especialmente porque há uma dificuldade em ingressar nas feiras de artesanato. Conforme Gilmara, geralmente é preciso conhecer ou ser amigo de alguém que já está lá dentro para conseguir uma oportunidade. Hoje, ela diz, é possível viver do seu trabalho.
Gilmara conta que não tem equipe e que trabalha sozinha no seu ateliê, e que despende boa parte do seu dia na produção dos brinquedos para atender a demanda dos consumidores. “Não tenho funcionários, sou sozinha no ateliê, fico durante o período da tarde e um pedaço da noite produzindo sozinha todas as encomendas que tenho nas feiras, então estou direto, final de semana, direto, sempre produzindo no meu ateliê”, contou.
Nem tudo são flores
Nem todo produtor consegue êxito na sua produção. O artesão André Toledo teve que desistir da produção de brinquedos pedagógicos após quinze anos de atuação. Ele fala que a principal dificuldade foi a falta de mão de obra, tanto para a produção no seu ateliê como para vendas em quiosques que ele tinha na época.
Ele conta que começou no ramo por incentivo do irmão, que o pediu para vender os brinquedos que ele produzia em razão do seu quadro de depressão. Ele acabou vindo para Cuiabá em 2007 com uma caixa de brinquedos para vender e 150 reais no bolso.
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Brinquedos pedagógicos estimulam o desenvolvimento de crianças.
“Os 150 reais acabaram no primeiro dia, então tinha que dar um jeito para ter dinheiro para trabalhar. Peguei essa caixinha de brinquedos e fui para a praça do Liceu Cuiabano, lá tinha uma feira linda. Cheguei lá, pedi uma oportunidade de vender e, nesse primeiro dia, eu vendi 400 reais. Eram todos os brinquedos que eu tinha, vendi tudo. Eram para os dois dias, sábado e domingo, mas vendi tudo no sábado”, contou.
Ele acabou sendo convidado para vender de forma permanente na feira, mas, em determinado momento, o irmão não conseguia mais enviar os brinquedos de Goiás. Nesse momento, ele abriu o próprio ateliê.
A falta de mão de obra foi o seu grande problema. No quiosque em um shopping da Capital, a rotatividade era muito alta, com casos inclusive de funcionários abandonando o ponto para passear. Além disso, a falta de funcionários em seu ateliê fez com que ele acabasse perdendo um cliente importante devido ao descumprimento de prazos.
Conforme André, os clientes sempre elogiaram os brinquedos por ajudarem no desenvolvimento de pessoas com TDAH e por fazerem com que famílias se juntassem para conseguir executar os desafios propostos.
Mesmo assim, as dificuldades se sobressaíram. Em dezembro de 2023, ele tomou a decisão de sair do ramo dos brinquedos. “O pior ano da minha vida em brinquedos. Para você ter uma noção, eu vendi 300 reais o mês inteiro, com uma despesa de mais de 5 mil reais”, contou. Hoje, ele trabalha com a produção de móveis planejados.

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