
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Os meses em que as mulheres cuiabanas mais procuram a Polícia Civil para denunciar crimes de violência doméstica são os meses de outubro e maio, aponta dados do Anuário de Violência Doméstica e Crimes Sexuais, divulgado nesta terça-feira (16). Segundo a delegada Judá Maali Pinheiro Marcondes, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá (DEDM), esses são os meses em que as mulheres se sentem mais valorizadas e tendem a ter mais autocuidado.
“Maio por ser o dia das mães e outubro por ser o mês de conscientização contra o câncer de mama. Atrai as mulheres para o autocuidado, ela começa a pensar no relacionamento abusivo que vive, então procura a Polícia Civil“, destaca a delegada.
Ainda na avaliação de Judá, isso mostra a importância de políticas públicas para as mulheres. “A gente percebe que as mulheres buscam mais nesses momentos em que elas são cuidadas, onde ela olha para cima, ela se sente valorizada”, completa. Conforme a delegada, de 2020 a 2024, mais de 22 mil mulheres foram atendidas em delegacias da mulher da Capital.
Além disso, houve um aumento de mais de 200% na procura das mulheres a uma delegacia especializada. “Em 2020, nós tivemos um número de 2.071 mulheres que procuraram a Polícia Civil para registrar violência doméstica. Em 2024, já tivemos 6.223 mulheres que solicitaram alguma providência da Polícia Civil”, afirma.
“A gente observa que, a cada ano, há um aumento de mulheres que começam a perceber qual é o seu verdadeiro papel na sociedade e começam a procurar mais a polícia a cada ano”, conclui a delegada.
Perfil das vítimas
Donas de casa e estudantes são as ocupações entre as mulheres que mais sofrem com a violência doméstica em Cuiabá, conforme o levantamento. Além dessas ocupações estão outras tanto de nível superior e técnico, como os de baixa remuneração.
DEDM-CBA
Com 147 (8,3%) ocorrências, em primeiro lugar estão as donas de casa, em seguida estudantes com 109 (6,2%), em terceiro estão as auxiliares (de setores alimentícios, administrativos e até de saúde) com 97 (5,5%)casos, seguida pelas mulheres que estão desempregadas, com 88 (5%) registros e aquelas cujas profissões não foram coletadas durante atendimento, que correspondem a 81 casos (4,6%) dos casos.
Já em sexto lugar estão as empresárias presentes em 70 (4%) registros, seguido pelas servidoras públicas com 63 (3,6%) ocorrências. Em oitavo lugar estão mulheres autônomas com 61 (3,4%), já as vendedoras estão em nono lugar com 50 (2,8%) registros e em décimo lugar estão as aposentadas com 43 (2,4%) casos.
Perfil dos agressores
Empresários, motoristas de aplicativo e autônomos são os que mais agridem mulheres em Cuiabá, segundo dados do Anuário.
Annie Souza/Rdnews
Cerca de 36% dos autores têm ensino médio ou superior, enquanto 10% têm apenas alfabetização ou ensino fundamental. Os dados também mostram homens com profissões como advogado, médico e até mesmo policiais militares como agressores. No levantamento também aparecem profissões de baixa remuneração, como pedreiros, pintores, cozinheiros, auxiliares de limpeza, zelador, bem como caixas, vendedores, catadores, garçom, cabeleireiros, entre outros.
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