
Um ano após a morte do menino Oliver Camargo de Melo, de 2 anos e 11 meses, a família recebeu um novo desdobramento judicial no caso. A ação civil pública movida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) contra o Município de Paranatinga segue em tramitação e tem como objetivo obrigar a prefeitura a corrigir falhas estruturais apontadas na assistência pediátrica prestada à população. O processo busca impedir que situações semelhantes voltem a acontecer.
A ação foi ajuizada após investigações do Ministério Público concluírem que a morte de Oliver expôs uma série de irregularidades na rede municipal de saúde. Segundo o MPMT, a morte da criança poderia ter sido evitada.
Um relatório técnico apontou demora no atendimento, falta de preparo da equipe e ausência de protocolos básicos para casos de urgência. As investigações também identificaram que um dos médicos responsáveis pelo atendimento não possuía autorização válida para exercer a medicina em Mato Grosso na época dos fatos.
Ainda conforme o Ministério Público, o Hospital Municipal de Paranatinga apresenta problemas estruturais crônicos, como a ausência de atendimento pediátrico regular, falhas no encaminhamento de pacientes em estado grave e deficiência na fiscalização do contrato de gestão.
Na ação, o órgão pede que a Justiça determine a implantação de protocolos de emergência, capacitação das equipes de saúde e atendimento médico contínuo, além de uma indenização mínima de R$ 500 mil por dano moral coletivo.
Enquanto aguarda o desfecho da Justiça, a mãe de Oliver, Cassiana Camargo de Ferreira, 37, afirma que a dor da perda permanece intensa.
“Esse primeiro ano sem o Oliver foi o mais difícil da minha vida. Não existe um dia em que eu não sinta a falta dele. Aprendi a conviver com a saudade, mas a dor de perder um filho nunca passa. Carrego essa saudade no meu coração e sei que ela vai permanecer até o dia em que Deus permitir que eu o encontre novamente no céu. Meus outros filhos me dão forças para continuar, mas o Oliver estará para sempre no meu coração”, desabafou.
A esperança de Cassiana é que a Justiça responsabilize os envolvidos, mas, acima de tudo, que a história do filho contribua para ampliar o conhecimento sobre a Doença de Hirschsprung, enfermidade rara diagnosticada em Oliver, e ajude a evitar que outras famílias enfrentem a mesma dor.
“Espero que a Justiça reconheça o que aconteceu com o meu filho e que a memória dele seja honrada. Também espero que os responsáveis respondam pelos erros que forem comprovados na Justiça. Mas o meu maior desejo é que o legado do Oliver permaneça vivo. Que o caso dele desperte um debate sobre a Doença de Hirschsprung, que é rara e pode se tornar uma emergência médica. Espero que mais profissionais de saúde conheçam essa doença e estejam preparados para reconhecer rapidamente os sinais e agir com agilidade. Se a história do meu filho contribuir para salvar outras crianças e evitar que outras famílias passem pela dor que a minha passou, o legado do Oliver permanecerá vivo”, afirmou.

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