
Ex-governador e candidato ao Senado, Mauro Mendes (União), avalia que a força política de parlamentares do Norte e Nordeste no Congresso Nacional dificulta uma distribuição mais equilibrada de recursos entre as regiões e mantém Mato Grosso e outros estados do Centro-Sul do Brasil em desvantagem. Para o ex-chefe do Palácio Paiaguás, a atual configuração do pacto federativo permite que estados menos produtivos tenham maior influência sobre decisões que afetam a arrecadação e a divisão de recursos públicos.
Mendes citou a composição do Senado, onde cada estado possui três representantes, independentemente do tamanho da população, para sustentar que Norte e Nordeste conseguem formar maioria e atuar em bloco na defesa de seus interesses. Segundo ele, as dificuldades históricas das regiões fizeram com que seus representantes desenvolvessem maior capacidade de articulação.
“Quando se juntam [Norte e Nordeste], eles têm maioria no Senado. Nesse momento, quem é o presidente da Câmara? Alguém do Nordeste. Quem que é o presidente do Senado? Alguém do Norte. Nós ficamos reféns. É uma ciranda que amarra e sufoca quem produz. Os políticos do Sul, Sudeste e Centro-Oeste têm uma cabeça um pouco diferente, enquanto os de lá se fecham e deixam um pacto federativo capenga. Eles desenvolveram habilidades de gerenciar o mundo político e auferir resultados a partir deles”, disse.
O candidato também criticou a distribuição de recursos prevista no novo modelo tributário e afirmou que estados do Norte e Nordeste teriam adotado estratégias para ampliar sua arrecadação e, consequentemente, aumentar a parcela na compensação das perdas provocadas pela reforma tributária.
Mendes citou a diferença entre as alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e afirmou que Mato Grosso está entre os estados com menor percentual. O ex-governador ainda defendeu a extinção de municípios com população muito pequena como uma forma de reduzir o tamanho da máquina pública e os custos administrativos.
A proposta poderia atingir cidades como Araguainha, com 989 habitantes, menor município de Mato Grosso e o quarto menos populoso do Brasil, além de Reserva do Cabaçal, com 1.978 moradores, e Serra Nova Dourada, com 1.981, conforme dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Aqui em Mato Grosso tem município com mil habitantes e lá tem vereador, lá tem prefeito, lá tem assessor, lá tem uma máquina administrativa que daria para se economizar para produzir a melhor cidade, o melhor bairro. Então é isso: o pacto federativo está comprometido pela desigualdade que se criou e pelos objetivos que se têm diferentes”.
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