
O governador Mauro Mendes (União Brasil) cobrou empenho e responsabilidade do presidente Lula (PT) quanto a necessidade de diálogo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visando sanar a crise diplomática instalada entre os dois países. Além disso, estendeu cobranças ao Congresso Nacional, para que seja pautado temas de “relevância”, como a anistia aos condenados pelo ataque golpista, que pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro e o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, deixando que a “democracia” do plenário decida os dois temas, sem autoritarismo dos presidentes das Casas.
Reprodução/Metrópoles
A fala de Mauro foi realizada nesta quinta-feira (7), após reunião com mais 8 governadores bolsonaristas em Brasília, estes que compartilham da mesma “sinergia”, conforme definiu o representante mato-grossense. Na sua visão, o Brasil tem o exemplo da Venezuela, que contestou os americanos e acabou pagando um alto preço, provocando um êxodo e miséria: “Não podemos, de maneira alguma, permitir que essa crise possa escalar e levar o Brasil a uma das piores crises da sua história. Nós temos que cobrar do presidente Lula que ele assuma o protagonismo dessa negociação”
“Ele é o presidente desse país, foi democraticamente eleito, concorde ou não, uma grande parte dos brasileiros. Ele está lá como nosso presidente, representa o país e ele não pode abrir mão e dialogar com o americano. Ele não pode ficar aqui oferecendo jabuticaba, falando como se estivesse jogando para o time eleitoral que ele representa, deixando de lado os interesses da economia brasileira”, sinalizou Mauro, endossando que a China mesmo sendo uma potência, precisou sentar na mesa de negociação.
O Brasil foi sancionado em 50% de taxa sobre as exportações para os Estados Unidos, medida que inviabiliza transações comerciais, exceto os quase 700 produtos “isentos” da sobretaxa, sendo mantido apenas a alíquota de 10% de imposto. Como justificativa, Trump argumentou que os americanos estavam sendo prejudicados economicamente, e também usou o ex-presidente sob pretexto, de que estaria sendo promovido uma “caça às bruxas”, misturando assuntos comerciais e políticos.
Mauro reforçou que não concorda com a postura de Trump e nem qualquer ato anti-patriota, fazendo referência a atuação do deputado federal e filho de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos inflamando sanções, para pressionar pela anistia a seu pai e aos bolsonaristas condenados pelo ataque de 8 de janeiro de 2023, que contestou a vitória de Lula, contudo, não vê espaço para o Brasil encarar essa guerra: “Eu acho que o presidente Trump está errado, mas ele é o presidente da maior economia do planeta. Não adianta nós aqui, na dimensão que nós temos, querer peitar o cara”.
“Quem tem legitimidade para votar sobre a anistia nesse país é o Congresso Nacional. Então que ele vote. Ele não pode receber pressão de A, de B ou de C e deixar de votar. Se for derrotado, como disse aqui o nobre colega Caiado, aqueles que perderam terão que aceitar democracia”, manifestou ele, ao defender que seja pautado o projeto que pode conceder perdão aos condenados e a Bolsonaro.
Ainda na entrevista, expôs insatisfação com a condução do caso que apura a trama golpista. Para ele, o STF tem cometido excessos, evidenciado o último, como a decretação de prisão domiciliar de Bolsonaro, devido a quebra de medidas cautelares. A decisão monocrática de Moraes gerou revolta de bolsonaristas, provocando efeito prático de mobilização, como a coleta de 41 assinaturas de senadores para protocolar o impeachment do ministro, no entanto, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), demonstra resistência em dar seguimento a reclamação contra o ministro. Mauro relatou que viu a declaração com grande preocupação.
“Eu vi uma declaração do presidente Alcolumbre hoje que me preocupou. Quando ele diz que mesmo que 81 senadores não aceitarem o impeachment, ele não vai pautar. Isso é autoritarismo. Como é que quer condenar alguém quando se age dessa forma?”, disparou.
Além de Mauro, que é apontado como o responsável por ter organizado o encontro, estiveram presentes os governadores Ronaldo Caiado (UB), de Goiás; Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo; Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina; Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul; Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Ratinho Jr. (PSD), do Paraná; e Wilson Lima (UB), do Amazonas.
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