
O novo vice-presidente e corregedor do TRE-MT, Marcos Machado, garante que não irá acionar o CNJ ou STF para questionar controvérsias da decisão do TSE, que anulou a sua eleição como presidente da Corte Eleitoral. O desembargador ressaltou, em entrevista à imprensa, que embora mantenha o seu pensamento, de que tinha o direito de disputar à presidência do Pleno, optou pelo acordo interno com o objetivo de preservar o TRE-MT, enquanto instituição, e garantir a continuidade dos trabalhos.
Machado ressalta que não gostaria de ver Serly fora da Corte Eleitoral, dependendo dos rumos que a celeuma tomasse após a imposição da decisão do TSE – de que ela apenas poderia concorrer à presidência – e que, por isso, decidiu retroceder da possibilidade de disputar, o que garantiu que Serly fosse eleita por aclamação na manhã desta quarta (14). A decisão de conciliação veio depois de longa reunião com os demais membros, intermediada pelo desembargador Wesley Lacerda, que é muito próximo a Machado.
“Nós aqui [membros do Pleno do TRE] achamos uma solução que me parece absolutamente justa, o derrotado assume a vice e a Corregedoria. Poderia acontecer isso de novo? Poderia. Eu não ia me sentir confortável, porque em Mateus 7:12 está escrito: ‘não faça ao outro o que você não quer que faça a você’. Imagino eu, no lugar dela, o que seria voltar para o tribunal [TJ] numa situação, digamos, de não inclusão num Tribunal Regional Eleitoral quando o próprio Tribunal de Justiça indica. E aqui nós não temos nenhuma dificuldade de ordem pessoal para que nós não pudéssemos caminhar juntos. Então, assim vamos fazer [caminhar juntos]”, disse Marcos Machado, logo após a sua posse como vice-presidente. Rodinei Crescêncio
Desembargador Marcos Machado foi eleito presidente do TRE-MT
O novo pleito foi realizado hoje após o TSE anular a primeira eleição, vencida pelo desembargador Marcos Machado, por entender que Serly Marcondes não poderia ter sido reeleita para o cargo de vice-presidente/corregedora. Marcos Machado apresentou embargos de declaração ao TSE por entender que a decisão a qual indicava que Serly deveria ser presidente e ele vice é controversa. A Corte Superior não chegou a apreciar o recurso que, agora, perde o objeto.
O desembargador, que chegou a externar a intenção de buscar o CNJ ou o STF para debater a questão, revelou que decidiu retroagir e que não seguirá adiante com os questionamentos porque isso causaria prejuízos ao TRE-MT. “Só perde o TRE. Nós já estamos com pauta represada, a governança precisa de liderança. Em nome disso tudo, eu não me vi com condição de enfrentar outras discussões”.
O desembargador fez questão de garantir que possui uma amizade recíproca com Serly, mas que é contrário ao instituto da recondução, levando em consideração que o Pleno do Tribunal de Justiça é composto por 39 membros.
“Eu vou cumprir a minha obrigação [como vice-presidente]. Espero fazê-la da melhor forma possível. Encerrou meu mandato, estou de volta no tribunal (TJ)”, disse, sinalizando que não pleiteará a recondução para, futuramente, ser presidente da Corte Eleitoral de Mato Grosso.
Diálogo e decisões conjuntas
Conforme o desembargador, o “cobertor é curto” [orçamento], por isso, há a necessidade de se debater conjuntamente as prioridades da nova administração, liderada por Serly. “Ou a gente quer o selo, ou você atua, por exemplo, numa situação de abstenção. A gente tem prioridades, a gente vai ter que se respeitar, decidir juntos”.
Neste sentido, Machado propõe que, ao invés de se ter decisões monocráticas, que podem ser feitas pela presidente, que as discussões administrativas sejam submetidas ao Pleno do TRE-MT.
“Qual que é a minha proposta? Leve tudo para o Pleno. E aceite o resultado do Pleno”, diz, frisando que o mesmo vale para as questões que envolvem a Corregedoria.
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