Impasse sobre recursos impede avanço de restauração de igreja e museu fechados há anos

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No Dia Nacional do Patrimônio Histórico, comemorado nesta segunda-feira (17), dois importantes patrimônios históricos de Cuiabá permanecem fechados em meio a impasses envolvendo a administração dos espaços e a aplicação de recursos públicos. A situação envolve a Igreja do Rosário e São Benedito e o Museu de Arte Sacra de Mato Grosso.

 

Fechada há cerca de quatro anos, a Igreja do Rosário e São Benedito, localizada na Praça do Rosário, no Morro da Luz, em Cuiabá, é um imóvel tombado como patrimônio histórico e integra a memória religiosa e cultural da capital mato-grossense.

 

A situação foi denunciada pelo membro do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT) e da Associação Amigos do Centro Histórico de Cuiabá (ACHC), Suelme Evangelista. 

 

Segundo Suelme, que é mestre em História pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), existem recursos disponíveis para a restauração da igreja, mas um impasse envolvendo a possibilidade de transferência dos valores para a Mitra Arquidiocesana de Cuiabá impede o avanço da restauração.

 

Conforme Suelme, a Secel teria recursos disponíveis para contratar uma empresa especializada para realizar a restauração, mas a Arquidiocese teria manifestado interesse em executar diretamente os trabalhos. Após análise da Procuradoria-Geral do Estado (PGE-MT), porém, haveria a impossibilidade jurídica de repasse direto dos recursos à instituição religiosa.

 

Suelme também criticou o fato de a igreja permanecer fechada e defendeu que, por se tratar de um bem tombado, o interesse público deve ser considerado na definição sobre a utilização e preservação do espaço.

 

O espaço religioso é resultado da união histórica das antigas igrejas do Rosário e de São Benedito. Segundo informações da Superintendência, a Igreja de São Benedito, conhecida como igreja dos escravos, ruiu e as estruturas foram posteriormente reunidas em um único templo.

 

Segundo a Superintendência de Preservação do Patrimônio Histórico e Museológico, vinculada à Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), a Mitra, por ser uma pessoa jurídica privada, não pode receber diretamente recursos públicos para a realização da obra. Para a aplicação dos recursos, seria necessário realizar um processo licitatório.

 

No caso do Museu de Arte Sacra, o espaço era anteriormente administrado por uma organização do terceiro setor, por meio de comodato. Com o encerramento do acordo, em julho de 2025, o prédio voltou à responsabilidade da Mitra e, desde então, segue fechado.

 

“Após o encerramento do contrato de gestão em 31 de julho de 2025, o Museu de Arte Sacra de Mato Grosso estará fechado ao público para a realização de inventário e a transição da gestão para a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel)”, diz trecho da última publicação feita pelo perfil do museu nas redes sociais.

 

A reportagem procurou a Mitra para saber se existe projeto para a restauração da igreja, se há previsão de reabertura do Museu de Arte Sacra e se houve oposição à contratação de uma empresa pelo Estado para realizar as obras. Entretanto, até a publicação, não houve resposta.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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