Imortal, imortal

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Hoje estou tão absolutamente pernambucana que nem a chamada da Folha de São Paulo vai apagar meu brilho. A gente vai lá, ganha 2 Globos de Ouro, vê Wagner Moura contente daquele jeito, vê Kleber Mendonça filho no palco, onde ele merece estar, representando o Brasil brasileiramente, no que tem de mais bonito nesse advérbio de modo, e a Folha podendo escrever essa chamada de um milhão de outros jeitos me escolhe mandar um: “‘O Agente Secreto’ fica sem Globo de Ouro de filme de drama, que vai para ‘Hamnet: A vida antes de Hamlet’". Ah, faça-me o favor! Inclusive, que vírgula mal colocada.

 

Sei não, minha gente. Mas Folha, minha linda, tu fala o que tu quiser que a gente do lado de cá acordou delícia, acordou dançando, acordou já pensando na fantasia de carnaval e no boneco de Olinda com a cara de Wagner. Deve tá pronto já, né? Pernambuco não decepciona não.

 

Dito isso, e vocês? Acordaram como? Aqui tá um calor danado. Eu acordei às 5h30 e olhe que nem confio muito na minha capacidade com as vírgulas, fiquei até na dúvida se vai hífen nesse ‘mal colocada’. Mas pelo menos de uma coisa eu sei, gosto ruim no sucesso dos outros eu não boto. E pra ser justa, a Folha também anunciou os dois prêmios em outras chamadas, mas essa ênfase no que não foi me põe de orelha em pé. E não é só com o jornal não.

 

Voltei das férias de fim de ano na segunda passada. Essa primeira semana é meio que sempre assim. Claro que não com todo mundo, inclusive porque todo mundo nem cabe quando a gente se refere à psicanálise. Cada um, cada um máximo. Mas uma galera, uma galera mesmo, a dizer da decepção do ano novo. Tudo que não teve, tudo que não foi. “É que na hora foi meio sem gracinha.

 

“Foi mesmo?”. “Ah, sei lá, a gente fez a contagem regressiva, estourou o espumante, se abraçou, depois a gente comeu, dançou, pulou onda e foi todo mundo dormir”. E tu tinha imaginado como? “Aí vem a mesma descrição com uma entonação diferente. Não se trata de um “queira menos”. O movimento é outro: queira mesmo o que você quer. Tem que desejar. Sustentar o desejo. Trabalhar por ele.

Trata-se de um”reconheça quando você consegue". E na esteira reconheça também quando outro consegue, celebre junto. Tá ouvindo Folha? Ah, pelo amor de Deus. E sim, antes que eu esqueça, salve a terra dos altos coqueiros! Pernambuco imortal, imortal!

Roberta D’Albuquerque é psicanalista, atende em seu consultório em São Paulo e escreve semanalmente no Gazeta Digital e em outros 17 jornais e revistas do Brasil, EUA e Canadá. E-mail: contato@robertadalbuquerque.com.br

 

Coluna semanal atualizada às segundas-feiras

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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