
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD), sinalizou que o Governo Federal, sob o comando o presidente da República Lula (PT), tem buscado dialogar com os Estados Unidos e repactuar a relação comercial, em meio às sanções impostas sobre parte da produção brasileira . O ministro alega que setores afetados deverão receber linhas de créditos como solução de socorro e enfrentamento a crise comercial que passa por momento de escalada.
Caroline De Vita
“Já tem medidas tomadas do Governo Federal para minimizar os impactos, e isso será feito, primeiro, medidas transversais para todos os afetados. E numa segunda fase, já em implementação, específico para as empresas, porque precisa ser tratado assim. Veja que no mesmo setor, por exemplo, vou sair fora do agro, vou falar, por exemplo, de calçados. Toda a indústria calçadista está afetada, porque exporta para os Estados Unidos, mas pode ter uma empresa específica que ela é mais vocacionada e venda, talvez, 80%, 90% da sua produção para os Estados Unidos, portanto, vai ficar inviabilizada”, argumentou Fávaro, em Sorriso, onde participou da inauguração da Maternidade Amor de Mãe, nesta segunda-feira (11).
Na semana passada, o presidente norte-americano Donald Trump, sancionou a tarifa de 50% sobre importações do Brasil, deixando de fora quase 700 itens , que sofrerão alíquota de apenas 10%. Como justificativa, apontou que os EUA sofrem prejuízos na balança comercial entre os dois países, contudo, a versão foi desmentida por dados do próprio governo dos Estados , que lucram com o Brasil. Além disso, ele tentou interferir na soberania do país, pedindo o fim da ação penal contra o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), no caso que apura a trama golpista, de contestação das urnas eletrônicas.
Para Fávaro, o Brasil seguirá em busca de diálogo e amenização das tarifas, sem aceitar a interferência sobre os poderes brasileiros, que são independentes. Neste cenário, expôs que Trump demonstra o padrão de ataque, citando exemplo praticados contra o Canadá e outros: “O governo norte-americano mudou as tratativas políticas com o mundo, não só com o Brasil”, disse.
“Veja que a cada dia ou a cada semana ele escolhe um país para tratar com desafeto. Não é uma simples negociação comercial, tarifária. Ele primeiro desdenha do país, primeiro ele fala que vai incorporar o Canadá como um Estado americano. Ora, e a soberania do Canadá? Depois o Alasca, depois ele briga aqui ou acolá. Mas isso é menos relevante. O que interessa para nós é estar aberto ao diálogo, repactuar aquilo que for possível repactuar, garantindo a soberania nacional”, emendou.
Nesta guerra tarifária, onde os Estados Unidos tem sido o único a dar as cartas, pressionando e arrecadando dólares, o ministro brasileiro sustentou que as restrições abriram margem para relações comerciais com outros países, gerando quase 400 mercados. “Vamos procurar abrir mais mercados e habilitar mais plantas para os mercados abertos. Isso dá um novo direcionamento”, concluiu.
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