
O candidato ao Senado por Mato Grosso, Antônio Galvan (Avante) voltou a se posicionar contra a diferenciação legal do feminicídio e afirmou que considera “infeliz” a legislação de autoria da ex-senadora Margareth Buzetti (PP), que endureceu a punição para crimes cometidos contra mulheres, ampliando a prisão por até 40 anos.
Em entrevista ao programa A Notícia de Frente, nesta sexta-feira (21), Galvan defendeu que homicídios praticados contra homens e mulheres tenham o mesmo tratamento penal. E ainda voltou a reforçar que existe a ocultação dos crimes praticados por mulheres contra companheiros. Galvan disse ainda que não concorda com a criação de uma categoria específica para mortes de mulheres, o feminicídio, tampouco com a lei aprovada de Buzetti considerada “infeliz”.
“Eu acredito que a Constituição trata todas as pessoas por igual. Então, acredito que as penas, como a lei determina, devem ter equiparação, igualitária. Sempre existiu e vai existir assassinato no inverso, homem sendo assassinado por mulheres. Antes, homicídio abrangia todos. Hoje não. O que defendo hoje é que, independentemente de estatística, o crime é o mesmo, eu defendo que a punição tem que ser a mesma. Eu acho que a senadora foi muito infeliz”, declarou.
Desde outubro de 2024, a Lei 14.994 tornou o feminicídio crime autônomo no Código Penal, com pena de 20 a 40 anos. A norma considera feminicídio o assassinato de mulher por razões da condição do sexo feminino, quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.
Durante a entrevista, Galvan também questionou a atenção dada aos assassinatos de mulheres e afirmou que homens mortos por mulheres não recebem a mesma exposição. Em seguida, afirmou que mulheres que cometem crimes também deveriam ser consideradas nas discussões sobre violência.
“Por que vocês falam só do homem, e não falam da mulher? Eu não sei por que essa distinção contra o homem. Parece que o homem é culpado de tudo. O homem não faz parte da sociedade?. Na mídia foi divulgado que mulheres matam filhos; por que tudo tem que ser o homem? A mulher está isenta de tudo? A mulher pode cometer crime que não vai à estatística. Existem mortes, sim, mas o crime é o mesmo”, disse.
Segunda fala polêmica na semana
Em três dias, essa é a segunda fala de Galvan sobre violência contra a mulher que repercute negativamente durante a semana eleitoral. Na primeira, o candidato afirmou que não via diferença entre feminicídio e homicídio e defendeu que o debate deveria se concentrar nas causas dos crimes.
Na ocasião, Galvan relacionou episódios de violência à chamada “desagregação” familiar e às dificuldades financeiras enfrentadas pelas famílias.
“A família está desestruturada, não tem mais condições financeiras de poder manter os filhos, pagar as despesas de casa, e começa a virar uma guerra dentro de casa”, afirmou.
O candidato também disse que crimes dessa natureza não aconteceriam, em sua avaliação, de forma repentina.
“Porque ninguém chega de primeira vez e comete um homicídio ou um feminicídio”, declarou.
A fala questionável do candidato ocorre em meio a uma sequência de casos de violência contra mulheres em Mato Grosso. Dados do Observatório Caliandra apontam que 31 mulheres foram vítimas de feminicídio entre janeiro e agosto de 2026. O número corresponde a 57,4% dos 54 casos registrados em todo o ano de 2025.
No ano passado, Mato Grosso registrou a terceira maior taxa de feminicídios do Brasil , com 2,7 mortes para cada 100 mil mulheres e 54 vítimas no total, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública . O estado ficou atrás apenas de Acre e de Rondônia no ranking proporcional nacional.

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