Facção usaria futebol e bets para ganhar simpatia da comunidade, diz PJC

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PJC

Responsável pelas investigações que resultaram na Operação Ludus Sordidus , o delegado Antenor Junior Pimentel Marcondes revela que Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, conhecido como “Dono da Quebrada” – apontado como chefe de facção criminosa atuante no Osmar Cabral e Jardim Liberdade – usaria o futebol como instrumento para atrair a simpatia da comunidade. Ele foi preso , mas acabou sendo solto pela Justiça, sob a alegação de que possui problemas no coração .

“A estratégia é comparável à política do “pão e circo” da Roma Antiga, onde os governantes mantinham a população distraída através da distribuição de alimentos e a promoção de jogos e espetáculos. Da mesma forma, a organização criminosa usa o futebol e outras formas de entretenimento para conquistar simpatia e lealdade, ao mesmo tempo em que camufla suas atividades ilícitas”, disse o delegado.

A investigação revelou que os sites “Gol Bet” e “Campeão Bet” seriam usados para lavar dinheiro da facção, financiar o tráfico de drogas e distribuir lucros entre os líderes da organização criminosa. Lauze seria beneficiário direto das Bets, recebendo 10% dos lucros mensais, assegurando o funcionamento das plataformas nos bairros de seu domínio, sem interferência externa ou de outras plataformas.

Além de Lauze, também foram alvos Jheine Rodrigues Pinheiro; Ronaldo Queiroz de Amorim Júnior; Ozia Rodrigues; Dainey Aparecido da Costa (influencer Deniz Bet); Renan Curvo da Costa; Paulo Augusto e Silva Dias; e Ronaldo Queiroz de Amorim. O irmão de Lauze, identificado como João Bosco Queiroz de Amorim, teria reagido à abordagem na operação, foi baleado e morreu. Reprodução

Sebastião Lauze Queiroz de Amorim, conhecido como “Dono da Quebrada”

Lavagem de dinheiro e repasses

Segundo a investigação, os lucros das apostas eram distribuídos semanalmente. Os comprovantes de transferências bancárias eram destinados para o líder, sendo utilizadas contas de “laranjas”, onde os valores eram recebidos. Em um único mês, foram identificadas movimentações superiores a R$ 50 mil apenas na conta de um dos envolvidos.

Além disso, empresas, dentre elas uma churrascaria, eram utilizadas como fachada para movimentar valores. A investigação identificou transferências cruzadas entre essas empresas e contas ligadas aos operadores da facção, com valores incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. 

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Por meio de ações assistencialistas, como distribuição de cestas básicas e patrocínio de times amadores, a facção tentaria legitimar a operação das bets. Eventos esportivos eram financiados pelas plataformas, o que fazia os líderes e integrantes da facção serem vistos como “benfeitores” da comunidade.

A promoção de eventos esportivos, como campeonatos de futebol amadores, funcionava como uma estratégia de tentativa de influência, uma vez que ao patrocinar e organizar esses eventos, o grupo criminoso tentava fortalecer sua presença nas comunidades, mas construindo uma imagem de entidade benevolente.

A  mesma estratégia também se estende ao campo político, com evidências de proximidade e apoio explícito a candidatos nas eleições municipais, promovidas pelas lideranças da facção. Aliás, o impedimento da realização de uma reunião comunitária em dezembro de 2023, desencadeou na operação.

Nesta semana, o chefe da Casa Civil, Fabio Garcia (União Brasil), relatou que orientou a confecção de um boletim de ocorrência à época, enquanto tentava viabilizar seu projeto à Prefeitura nas eleições de 2024, contudo, teria sido barrado de atuar no bairro, pois a irmã de um dos investigados era pré-candidata a vereadora.

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Link da Matéria – via RD News

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