
Investigação da Delegacia do Consumidor (Decon) de Cuiabá descobriu que todos os exames de uma menina de 5 anos, vítima de acidente, foram falsificados pelo laboratório BioSeg, alvo da Operação Contraprova , deflagrada nesta sexta-feira (15). Na ação, o empresário Igor Phelipe Gardes Ferraz , foi preso preventivamente. Ele é apontado como o responsável técnico pelo laboratório, quem falsificava os laudos. A garota morreu em dezembro do ano passado.
Rdnews
Segundo o delegado Rogério Ferreira, as investigações apontaram situações gravíssimas por conta dos laudos falsificados, como o caso da menina de 5 anos. Ela foi vítima de um acidente no interior, ficou internada em Cuiabá e depois passou para tratamento em home care.
“Ex-funcionários dessa rede de laboratórios disseram que todos os laudos e todos os exames que essa criança fez foram falsificados pelos sócios da empresa”. Conforme o delegado, ainda não existe correlação entre o fato de os laudos terem sido falsificados e do falecimento, já que o estado dela era grave. “Mas isso não deixa de dar uma gravidade à conduta dos sócios da empresa”, completa.
Ainda conforme o delegado, incontáveis pacientes foram prejudicados pela empresa, já que os laudos não eram realizados. Eles eram entregues com resultados dizendo que estava “tudo normal”. PJC/MT
Igor Phelipe Gardes Ferraz, preso na Operação Contraprova, é um dos sócios da Bioseg
Os exames eram assinados pelo biomédico e sócio da empresa, Igor Phelipe Gardes Ferraz, que foi preso preventivamente nesta quinta. Ele era assessor parlamentar do vereador Gustavo Padilha (PSB). “O suspeito preso hoje falsificava os resultados dos laudos, colocava resultados dentro da normalidade e com isso emitia laudos totalmente falsos e que não amparavam os médicos no tratamento de seus pacientes”, afirma.
A Bioseg prestava serviços para órgãos públicos, o que incluiu Câmara e a Prefeitura de Cuiabá. Clínicas particulares, nutricionistas, convênios médicos e pacientes particulares também eram atendidos pelo laboratório.
“Esse laboratório atendia em torno de 50 pessoas por dia. Essas pessoas vinham encaminhadas por prefeituras, câmaras de vereadores, planos de saúde, médicos particulares que coletam amostras em clínicas, nutricionistas e outros profissionais e também exames particulares realizados pelo próprio laboratório em loco. Laboratórios de sangue e diversos outros materiais para doenças de todo tipo, inclusive HIV. Não há como estimar o número de exames que deixaram de ser feitos ou que foram falsificados. Isso é impossível que a gente faça uma estimativa”, salienta.
Em nota, a Câmara de Cuiabá informa que não mantém qualquer vínculo contratual com a empresa investigada. Além disso, informa que o encerramento do contrato ocorreu no mês de maio, ocasião em que a atual gestão optou pela não renovação da prestação dos serviços.
“O Legislativo Municipal reafirma seu compromisso com a ética, a legalidade e a transparência, colocando-se à disposição da sociedade e das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos que se fizerem necessários”, diz trecho do documento.
A Prefeitura de Cuiabá afirma que a Operação Contraprova, deflagrada pela Polícia Civil contra a empresa Bioseg Médica Laboratorial, é resultado de denúncias da atual gestão em relação a contratos da gestão anterior. Após a denúncia em abril, o laboratório suspeito de falsificar exames foi interditado pelas autoridades. “A Prefeitura de Cuiabá reforça que todos os contratos com a referida empresa, firmados na gestão passada, passam por reanálise para verificação da legalidade e eficiência” diz a nota divulgada hoje.
O vereador Gustavo Padilha diz que foi pego de surpresa com a prisão do assessor. Além disso, anunciou a decisão de exonerá-lo e que o caso agora está sob responsabilidade de Justiça.
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