
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Deputado estadual Júlio Campos assumiu a Prefeitura de Várzea Grande em 1973
Prefeito de Várzea Grande na década de 1970, o deputado estadual Júlio Campos (União) avalia que a cidade teve um crescimento exponencial e desordenado nos últimos 52 anos. Júlio conta, em entrevista especial ao , que assumiu o comando da segunda maior cidade com apenas 26 anos em 31 de janeiro de 1973. À época, segundo ele, a cidade dava sinais de que começava a crescer e seus antecessores não haviam conseguido avançar muito em razão da falta de recursos.
“Então, eu inventei um slogan. Ao invés de ‘Cidade Dormitório’, nós transformamos Várzea Grande na ‘Cidade Industrial’ de Mato Grosso. Como? Doando terrenos, incentivando as indústrias a vir para Várzea Grande, oferecendo terraplanagem, levando a rede de energia. Fizemos uma política de atração das indústrias para Várzea Grande”, conta o ex-prefeito, em entrevista concedida ao portal em seu gabinete na Assembleia Legislativa.
Segundo Júlio, que também foi governador de Mato Grosso, esse movimento alavancou o desenvolvimento da cidade que teve um alto crescimento demográfico, passando de 15 mil habitantes para 30 mil habitantes durante o seu mandato, que terminou em 1977. “Nós tivemos que criar os bairros Cristo Rei, Mapim, Nova Várzea Grande, Imperador, Imperial, enfim, vários bairros. Nós fizemos a política de incentivo para o cidadão morar em Várzea Grande. Nós criamos a Companhia de Desenvolvimento de Várzea Grande, que vendia lotes baratinho. Por exemplo, preço de hoje, R$ 50 por mês a prestação, não dava o lote”, relembra Júlio Campos.
Atualmente, conforme dados do IBGE, são 300.078 habitantes, representando um crescimento de 1.900,52% nos últimos 52 anos. Ele ressalta que, graças a sua proximidade com o governo estadual – sob José Fragelli e, depois, José Garcia Neto à época – foi possível fazer obras estruturantes como a duplicação da Avenida FEB, de Cuiabá até o aeroporto Marechal Rondon; além da construção de várias escolas.
Ele brinca que outro legado de sua administração foi o seu casamento com a Professora Isabel Pinto de Campos, que havia sido sua secretária de Educação. “No final do meu mandato, [Isabel] terminou casando comigo. A prefeitura me proporcionou um bom casamento”.
Apesar dos feitos, o ex-prefeito pondera que, com o crescimento, vieram os grandes desafios, como a questão do abastecimento de água. Conforme Júlio, entretanto, a situação não era caótica como hoje porque a cidade era pequena e já haviam sido realizados investimentos, por outros gestores na construção de uma rede de distribuição de água e duas caixas d’águas.
Júlio ressalta que, durante sua gestão fez a primeira estação de tratamento de água da cidade. “Várzea Grande tinha total facilidade com o abastecimento de água. Só que o que ocorreu? Cresceu demais”, diz, argumento que isso ocorreu de forma desordenada e sem planejamento, apesar de reconhecer a contribuição dos que o sucederam. Para Júlio, a solução para a crise no saneamento atual é a concessão do Dae.
“Mais de 80 mil pessoas, nos últimos 10 anos, mudaram para Várzea Grande. Você vê lá o Chapéu do Sol, é um bairro novo que você não conhece, é a nova Várzea Grande”, ressalta, citando outros condomínios além da instalação na região do Fórum, do IFMT e do Centro Tecnológico.
Espólio familiar
Eleito muito jovem, Júlio reconhece que seu pai Júlio Domingos de Campos, o Seo Fiote, que foi prefeito de Várzea Grande por dois mandatos, foi um dos seus principais orientadores. “Meu bisavô, Benedito Paulo de Campos, era um fazendeiro ali, um sitiante, onde ficou o centro da Várzea Grande. Quem doou o terreno para a construção da igreja, construção do colégio Pedro Gardés ali no centro foi o meu bisavô, Benedito Paulo de Campos. Então meu pai me ajudou muito e a minha mãe [ Amália Curvo] também, que era muito entusiasta na área social”.
Ditadura Militar
Prefeito em pleno regime militar, Júlio Campos afirma que o período foi relativamente tranquilo na cidade. Ele pondera que houve apenas um episódio de violência política quando o então comandante do Exército de Cuiabá Hélio Jesus Fonseca interferiu na eleição municipal.
“Ele tinha interesse em ganhar a eleição. E realmente elegeu nessa eleição a professora Sarita Baracatti, que era da UDN, era da Arena 1, e foi eleita prefeita contra dois outros candidatos, muito ruim os candidatos, por sinal. O melhor nome não pôde ser lançado”, rememora.
Apesar disso, o deputado ressalta que o período trouxe muitos benefícios em relação aos investimentos em melhorias na infraestrutura da cidade, por meio de pavimentação asfáltica, construção de escolas e também no saneamento – veja relato completo
Futuro de VG
O deputado estadual e ex-prefeito avalia que Várzea Grande vive um bom momento de crescimento e que a “estagnação” nos últimos anos ocorreu porque os ex-governadores Dante de Oliveira (já falecido) e Blairo Maggi deram preferência para suas bases em Cuiabá e Rondonópolis/Sapezal, respectivamente. Além disso, ele ressalta que muitas indústrias madeireiras migraram para o Nortão em razão da vocação econômica desta região de Mato Grosso.
Diante do atual cenário, o ex-gestor entende ser necessária a construção de um novo Distrito Industrial para que se possa atrair mais investidores. Além disso, ele cobra uma maior atenção do governo estadual. “Somos a segunda maior arrecadadora de ICMS do Estado. Para com essa ilusão de que Sinop, Sorriso, Primavera do Leste, Rondonópolis, arrecada mais. Não, quem mais arrecada em Mato Grosso é Cuiabá e a segunda é Várzea Grande, mas nós não temos esse retorno. Porque quem mais tem investimento é o interior do Estado e aqui é a própria Cuiabá”, reclama. Rodinei Crescêncio/Rdnews
Júlio Campos, em entrevista especial, avalia que Várzea Grande segue crescendo e cobra mais apoio do governo estadual
Questionado se a relação umbilical com Cuiabá atrapalha, Júlio avalia que ajuda no desenvolvimento e que não há separação entre as duas maiores cidades de Mato Grosso. “São duas cidades-irmãs, Cuiabá pariu Várzea Grande. E hoje, nós somos filhos de Cuiabá. E filhos de Livramento [Nossa Senhora do Livramento], que também cedeu um pedaço da sua terra para constituir [VG]”.
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