‘Éramos siameses e você levou metade de mim’, diz gêmeo de professor assassinado

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“Éramos como siameses e você levou metade de mim”, essa foi uma das frases usadas por Bruno Humberto para lamentar o assassinato brutal do irmão gêmeo, Breno Antonio Humberto de Moraes. Foram 11 dias de angústia do irmão, família e amigos que procuravam respostas sobre o desaparecimento do professor, até a confirmação de que ele havia sido morto.

 

Em uma publicação compartilhada nas redes sociais, Bruno falou sobre o vazio deixado pela perda de quem esteve ao seu lado durante 25 anos. “Só consigo chorar e sentir falta de você, do seu carinho, da metade que você levou de mim. Você sempre disse que não éramos siameses, meu maior grande amor. Te amo aqui e além”, pontuou.

 

O irmão também recordou a relação entre os dois e o papel que desempenhava como o gêmeo mais velho, que aconselhava e, por vezes pegava em seu pé. “Sempre serei o seu irmão, o irmão mais velho, aquele que sempre pegou no seu pé. Hoje eu entendo a necessidade disso, mesmo que você, algumas vezes, não entendesse. Eu te amo demais. Foram 25 anos juntos e uma saudade que não cabe no peito”, declarou.

 

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Além da saudade, Bruno pontuou que não irá desistir e que o culpado irá pagar pela crueldade que cometeu com seu irmão. “Eu peço justiça e vou lutar por justiça por alguém que eu amo. Justiça por alguém que amava viver. Justiça por você, Bre”, finalizou. 

 

Comoção nas redes sociais

A morte de Breno também provocou manifestações de pesar entre amigos, colegas de profissão e pessoas que conviveram com ele. As mensagens demonstram a personalidade carinhosa, a alegria e a dedicação à educação. Uma colega de faculdade descreveu Breno como uma pessoa doce, de alto astral e apaixonada pelo trabalho na área educacional.

 

Segundo ela, além de professor, ele também era artesão e produzia materiais didáticos. “Breno foi meu veterano na faculdade, e é irmão do meu amigo Bruno. Uma pessoa incrível, doce, alto-astral, sempre rindo, apaixonado pela educação, artesão, fazia materiais didáticos lindos… não dá para acreditar nisso, a ficha não cai!”, escreveu.

 

Outra pessoa recordou o carinho e a atenção de Breno ao preparar materiais para os alunos. “Breno fez para mim um lindo painel de EVA para minha turma neste ano, sempre tão amoroso nas mensagens, paciente. Que Deus conforte seu coração e de sua família, Bruno! Muito triste tudo isso”, publicou.

 

Colegas também expressaram solidariedade à família, especialmente à mãe, que enfrentou dias de angústia enquanto aguardava notícias sobre o filho. “Não existem palavras capazes de amenizar a dor de uma família que tanto esperou por seu retorno. Meu coração se solidariza, especialmente com essa mãe, que viveu dias de aflição e agora enfrenta uma dor que nenhuma mãe deveria conhecer”, escreveu uma colega de profissão.

 

A comunidade LGBTQIAPN+ também manifestou pesar e destacou que a violência não deve apagar a história de Breno nem os sonhos que ele construiu. “Quando uma pessoa LGBTQIAPN+ parte de forma tão brutal, toda a comunidade perde junto. Perdemos sonhos, histórias e vidas que muitas vezes são interrompidas simplesmente por sermos quem somos e amarmos quem amamos”, diz um dos comentários.

 

“Que seu irmão seja lembrado pelo amor e pela história que construiu, jamais apenas pela violência que tirou sua vida”, acrescentou a mensagem direcionada a Bruno.

 

O caso

Breno estava desaparecido desde a noite de 26 de setembro, quando saiu de casa, na região da Capela do Piçarrão, em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Câmeras de segurança registraram o momento em que ele subiu na garupa de uma motocicleta, por volta das 20h.

 

Inicialmente tratado como desaparecimento pelo Núcleo de Pessoas Desaparecidas (NPD), o caso foi transferido para o Cartório de Homicídio Consumado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), sob responsabilidade do delegado Bruno Abreu.

 

O corpo de Breno foi localizado na noite desta quinta-feira (8), em uma área de brejo no bairro 13 de Setembro, em Várzea Grande. A localização encerrou os dias de procura da família, mas deu início a uma nova etapa de dor para os familiares e amigos, que agora cobram respostas e justiça pela morte do professor.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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