
A TAO Construtora emitiu uma nota de esclarecimento sobre o resgate de 563 trabalhadores em condições análogas à escravidão em uma obra da empresa, de construção de uma usina de etanol, em Porto Alegre do Norte (a 1116 km de Cuiabá). Segundo a construtora, o incêndio no alojamento, apontado como cobrança por melhorias nas condições de trabalho , foi criminoso e provocado por um grupo isolado de funcionários. Além disso, a TAO afirmou que uma grande parte dos colaboradores “manifestou o desejo de retornar ao trabalho”, após a situação e que “a verdade será esclarecida”.
Ainda segundo a nota, a construtora disse que não há autuação formal contra a empresa e que firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho (MPT) de Mato Grosso, “com caráter emergencial e reparatório, sem confissão de culpa, como forma de garantir suporte imediato aos trabalhadores e manter seu compromisso com a transparência e diálogo”. Vagner Teixeira Maciel/GSI/PGT
Alojamento que os trabalhadores atearam fogo, em busca de melhores condições de trabalho
“A TAO Construtora repudia veementemente qualquer prática análoga à escravidão ou tráfico de pessoas, e seguirá colaborando com as investigações, confiando que a verdade será esclarecida com responsabilidade e respeito ao devido processo legal”, diz trecho da nota.
Resgate de trabalhadores
Conforme publicado pelo , uma força-tarefa com o MPT de Mato Grosso, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e a Polícia Federal (PF) resgatou 563 trabalhadores em condições análogas à escravidão na obra da TAO, onde constataram condições degradantes e inúmeras violações às normas de Saúde e Segurança do Trabalho.
De acordo com o MPT, as condições dos alojamentos eram extremamente precárias. Os trabalhadores dormiam em quartos superaquecidos, com apenas um ventilador para quatro pessoas, recebendo apenas um lençol fino para cobrir colchões usados e de má qualidade. Além disso, não seriam fornecidos travesseiros, fronhas ou roupas de cama adequadas. A superlotação também foi citada como evidente, com alguns trabalhadores chegando a dormir no chão ou sob mesas, quando não havia camas disponíveis.
Vagner Teixeira Maciel/GSI/PGT
Os trabalhadores também teriam enfrentado falta de energia elétrica e falta d’água, chegando a receber água de caminhões-pipa, fornecidos pela empresa, captada diretamente do Rio Tapirapé, sendo uma água turva e inadequada para consumo nos bebedouros. Outro ponto salientado foi a alimentação, com relatos de presença de larvas e moscas na comida.
Ainda segundo o MPT, a precariedade das condições de trabalho e alojamento, somada à falta de água e energia por dias consecutivos, criou um ambiente insustentável que culminou na destruição dos alojamentos masculino e feminino, parte da panificadora e da guarita de entrada.
Após o incêndio, a empresa foi obrigada a alojar os trabalhadores em hotéis e casas alugadas na cidade.
Ao todo, segundo o MPT, foram registradas 18 demissões por justa causa, 173 pedidos de rescisão antecipada de contratos por prazo determinado e 42 pedidos de demissão. Cerca de 60 trabalhadores perderam todos os seus pertences pessoais no incêndio. (Com informações da assessoria)Entre na comunidade de WhatsApp do Rdnews e receba notícias em tempo real . (CLIQUE AQUI )

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