
Kethlyn Moraes
O orçamento para os quatro campi da UFMT (Cuiabá, Sinop, Barra do Garças e Pontal do Araguaia) previsto na Lei Orçamentária Anual de 2025 é de R$ 1,1 bilhão, mas 80% está destinado ao pagamento de pessoal, restando R$ 200 milhões para custeio e manutenção. Dessa forma, a UFMT vem pleiteando R$ 60 milhões em emendas parlamentares para conseguir fazer reformas estruturais necessárias e melhorar serviços estudantis. Em entrevista ao , a reitora da UFMT, Marluce Souza Silva, falou sobre os principais desafios na gestão da universidade neste ano, criação de novo campus e novos cursos, a obra do campus de Várzea Grande e sobre a necessidade de concursos para docentes e técnicos-administrativos.
Confira, abaixo, alguns trechos da entrevista.
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Qual é o orçamento para a UFMT em 2025 previsto pela LOA? É um orçamento maior do que o do ano passado?
É muito parecido ao do ano anterior, de um R$ 1,1 bilhão, no ano passado foi em torno de R$ 1 bilhão. Só que esse valor já tem um compromisso vinculado, de 80%, para pagamento de pessoal ativo e inativo. Então, na verdade, o orçamento da Universidade Federal para custeio e capital é algo em torno de R$ 200 milhões. Esse custeio inclui restaurante universitário, infraestrutura, curso de bolsas, passagens, energia, água, tudo. Todo o funcionamento. Então, esse valor é suficiente apenas para essa manutenção, não é suficiente para uma reforma. O pouco que nós vamos conseguir realizar será com emendas parlamentares.
Annie Souza
Para fazer investimentos e reformas, qual seria o valor necessário, que vocês estão pleiteando por emendas parlamentares?
Nós pleiteamos mais de R$ 60 milhões e estamos recebendo R$ 16,5 milhões para 2025. Foi o que a gente conseguiu nesse momento. A nossa prioridade é fazer a reforma da cobertura dos nossos prédios, que são muito antigos, garantir um pouco mais de infraestrutura dentro do espaço físico da universidade, recapeamento das nossas vias internas da universidade e melhorar o restaurante universitário e a casa dos estudantes. “ Nós pleiteamos mais de R$ 60 milhões e estamos recebendo R$ 16,5 milhões para 2025. Foi o que a gente conseguiu nesse momento”
E há previsão de expansão novos campi?
Existem demandas apresentadas e estão colocadas na mesa do ministro da Educação, principalmente um campus em Lucas do Rio Verde, que é um projeto que já está sendo analisado pelo Ministério da Educação. Mas a criação, muito provavelmente, ainda vai exigir um tempo maior de análise, de avaliação por parte das nossas possibilidades orçamentárias. Então, nós estamos aguardando aquilo que for possível de realizar.
A unidade de Várzea Grande, que atualmente funciona em Cuiabá, já tem previsão de conclusão da obra?
Várzea Grande é uma estrutura que já está sendo executada há 11 anos. Já deveriam ter entregado essa obra e há um compromisso por parte da gestão de realizar todo o esforço necessário para que essa conclusão seja realizada o mais breve possível. Nós recebemos recursos de emendas parlamentares, principalmente do senador Jaime Campos, no sentido de concluir essas obras. E nós estamos fazendo um levantamento, uma revisão do orçamento, da etapa de desenvolvimento em que se encontram hoje as obras, para que a gente possa atualizar os recursos orçamentários necessários para a sua conclusão. O que nós temos hoje não é suficiente para concluir as obras. Pode concluir em parte, mas não na sua totalidade.
E quais são os principais desafios hoje para o IFMT dos quatro campos?
Um deles é justamente concluir a obra de Várzea Grande, concluir as obras do Hospital Universitário, que irá funcionar na divisa de Cuiabá e Santo Antônio do Leverger, fazer essa migração do Hospital Universitário, definir quais serão as clínicas que serão atendidas, preparar a Universidade para a realização de concurso público para que haja trabalhadores, servidores, médicos, enfermeiros e todos os demais profissionais da saúde para estarem trabalhando naquela localidade. E socorrer a Universidade nesse momento na sua estrutura física, garantindo melhores condições de trabalho para os servidores e melhores condições de aprendizagem para os nossos estudantes.
A senhora citou a questão do número de profissionais suficientes. Qual é o déficit atual de docentes e técnicos administrativos para suprir essa demanda?
Nós temos hoje em torno de 1.600 docentes e 1.200 servidores técnicos administrativos para todas as unidades da Universidade. Novos cursos demandam com urgência a abertura de vagas de docentes e técnicos. Mas para atender os cursos atuais nós precisaremos de pelo menos 200 vagas de servidores técnicos e mais ou menos 100 vagas de servidores docentes.
Annie Souza “ Não havendo abertura de concurso, dificilmente a gente consegue viabilizar a aprovação dos cursos”
Há uma perspectiva de aumento de oferta de cursos?
Sim, nós temos algumas demandas importantes, até aprovadas nos colegiados de curso. Nesse momento, todos os cursos que chegam até a reitoria, estamos convidando os proponentes para realizar uma conversa e verificar as possibilidades de abertura de concurso. Não havendo abertura de concurso, dificilmente a gente consegue viabilizar a aprovação dos cursos. Então, assim, demandas sempre existem. O que a gente precisa barrar um pouco é a criação de novas responsabilidades sem a devida estrutura física e de pessoal necessária para o funcionamento de mais uma atividade.
Quais são as áreas, geralmente, que têm essas demandas de novos cursos?
Quase todas as áreas. As áreas da saúde, por exemplo, elas estão demandando um curso de odontologia. O Araguaia está demandando um curso de agronomia e de gestão de pessoas. Temos a pretensão também de um curso de medicina também no Araguaia, conforme temos já em Sinop. E, muito provavelmente, outros cursos podem se manifestar a qualquer momento. É importante que a gente diga e recupere que nós tomamos posse há 100 dias apenas e que, provavelmente, essas demandas tendem a ser crescentes.

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