Diagnosticado com câncer, pai de Lucas Veloso se afasta de audiências e lamenta rumo de processo: “Eu fico indignado”

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Cleuvimar Veloso, pai do aluno soldado do Corpo de Bombeiros Lucas Veloso Peres, de 27 anos, que morreu durante um curso de salvamento aquático, na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, se mostrou indignado com o andamento do processo em que o capitão bombeiro militar Daniel Alves de Moura é réu , acusado de homicídio qualificado contra o filho dele, suspeito de ter removido equipamentos de segurança da vítima durante o treinamento e dar “caldos” na água como punição pelo desempenho ruim no treinamento. Diagnosticado com câncer, Cleuvimar não escondeu a tristeza com o rumo que o processo está tomando, durante a segunda audiência de instrução e julgamento realizada nesta quarta-feira (19).

“Eu estou achando que é uma… Eu não vou nem falar, na realidade, o que eu estou pensando, porque eu posso até ferir depois. Rapaz, eu fico indignado. Eu queria que a Justiça usasse o símbolo dela. Que fosse vendada e que fizesse a justiça do jeito que teria que ser”, relatou Cleuvimar.

  João Aguiar/Rdnews

À esquerda, Cleuvimar Veloso, pai de Lucas, durante a audiência desta quarta-feira (19).

Apenas as testemunhas e assistentes de defesa de Daniel puderam falar na audiência desta quarta. Durante a fala do médico perito judicial Fernando Alves Esbérard Leite, contratado pela defesa do capitão Daniel, foi afirmado que Lucas sofreria de arritmia , que teve uma morte súbita cardíaca e que é “praticamente impossível” distinguir se o jovem morreu por afogamento. Além de mencionar o suposto uso de remédios controlados e que o soldado estaria em jejum durante o treinamento.

O pai de Lucas disse que, após acompanhar os argumentos da defesa, notou que o foco está na teoria da causa da morte do filho e não no ato do capitão. “O que provocou a morte do Lucas? Como que eles mostram aqui que o capitão estava nadando do lado do Lucas, do lado, quase que segurando o Lucas, e dois minutos depois ele faleceu? Ninguém viu? Como que uma pessoa morre dessa forma?”, indagou.

Outra ponto afirmado por Cleuvimar é que Lucas era uma pessoa que praticava esportes radicais como rapel, paraquedismo, paramente, frequentemente andava de bicicleta por cerca de 50 km e até ia visitá-lo saindo da faculdade para a cidade do pai, rodando aproximadamente 200 km de distância. “Como que um cara desses vai morrer de morte súbita, de arritmia?”. Montagem/Rdnews

Lucas Veloso (no detalhe), que morreu durante treinamento dos Bombeiros na Lagoa Trevisan

O pai do soldado relembrou o laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) em que a causa da morte de Lucas seria por afogamento . Além disso, o legista teria realizado um exame toxicológico onde foi identificado que o rapaz não tinha nenhum tipo de droga no corpo. “Nem remédio não tinha. Agora como que vem falar que ele usava remédio?”, disse Cleuvimar.  

Questionado se acreditava que o processo estava seguindo um rumo tendencioso para o lado de Daniel, Cleuvimar negou e disse que, enquanto servidor do Poder Judiciário do Estado de Goiás, ainda acredita na Justiça. “E se não for na justiça da terra, com certeza na justiça de Deus vai ter”.

Diagnosticado com câncer

À imprensa, Cleuvivar anunciou que “encerrou o ciclo” em Cuiabá e não retornará à Capital para acompanhar as audiências, mas disse que seus advogados vão continuar até o fim do processo. “Eu não tenho mais interesse em acompanhar essa audiência ou esse processo presencialmente”.

O pai de Lucas disse ainda que foi diagnosticado com câncer e que iniciará o tratamento na próxima segunda-feira (24).

“Até porque, com essa situação, daqui a oito dias vai fazer um ano [da morte de Lucas]. O que me aconteceu? Eu adoeci, tive que ir para o psiquiatra, para o psicólogo, e acabou que eu fui diagnosticado com câncer. Então, eu vou ter que me desligar daqui realmente, eu tenho que focar agora no meu tratamento”, relatou.

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Link da Matéria – via RD News

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