Dia Nacional da Libras reforça direito à comunicação e inclusão de pessoas surdas

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O Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras), celebrado nesta quinta-feira (24), reforça a importância da inclusão e do direito à comunicação para pessoas surdas em todo o país.

 

A data marca o reconhecimento oficial da Libras como meio legal de comunicação e expressão no Brasil, garantido pela Lei nº 10.436/2002 e regulamentado pelo Decreto nº 5.626/2005. Mais do que simbólica, a data chama atenção para a necessidade de ampliar a acessibilidade em diferentes áreas da sociedade.

 

Surdo e mestre em Linguística, o secretário adjunto de Inclusão e Acessibilidade de Cuiabá, Andrico Xavier, destacou que a Libras representa muito mais que uma ferramenta de comunicação. “Ela é identidade, cultura, pertencimento e autonomia. Para a comunidade surda, significa ter voz, ser compreendida e ter acesso às oportunidades”, afirmou.

 

O gestor, que se comunica por meio da Libras, ressaltou que o dia também é um momento de conscientização coletiva. “Essa data serve para lembrar que inclusão não é favor, é direito. A pessoa surda precisa estar inserida em todos os espaços, com acesso garantido à educação, saúde, trabalho e serviços públicos”, pontuou.

 

Apesar dos avanços, Andrico alerta que ainda há muito desconhecimento sobre a Libras no Brasil. “Muitas pessoas ainda pensam que são apenas gestos, mas é uma língua completa, com estrutura própria. Esse desconhecimento ainda é muito presente, principalmente em regiões mais vulneráveis e até dentro das famílias”, explicou.

 

Segundo ele, a falta de acesso à Libras desde a infância pode impactar diretamente o desenvolvimento da pessoa surda. “Muitas crianças crescem sem comunicação plena dentro da própria casa. Isso gera exclusão desde cedo e dificulta o acesso a direitos básicos”, destacou.

 

Em Cuiabá, a gestão municipal tem buscado avançar na acessibilidade. Entre as iniciativas, está a implantação de uma central de atendimento em Libras, inclusive de forma remota. “Estamos estruturando um serviço com intérpretes para garantir que a pessoa surda seja atendida com dignidade, seja em uma consulta médica, na escola ou em qualquer serviço público”, disse.

 

O secretário também defende que a inclusão precisa ser uma responsabilidade compartilhada. “Nosso objetivo é que a acessibilidade não fique restrita a uma secretaria, mas esteja presente em toda a Prefeitura e em toda a sociedade”, afirmou.

 

Ele ainda reforçou que a mudança começa com atitudes simples. “Cada cidadão pode contribuir com respeito, empatia e disposição para aprender. A pessoa com deficiência não precisa de pena, precisa de oportunidade e acessibilidade”, concluiu.

 

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 10 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência auditiva, sendo aproximadamente 2,7 milhões com surdez profunda.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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