Deputado cobra eficácia da gestão na saúde com foco nos regionais

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Deputado estadual reeleito, Dr. João (MDB) destacou a saúde pública como o principal foco de sua atuação parlamentar e de sua trajetória política em Mato Grosso. Durante a entrevista ao Jornal do Meio-Dia na última semana, o parlamentar apontou graves gargalos na rede pública, criticou a gestão de recursos pelo Executivo e cobrou maior atenção aos municípios do interior.

 

Com uma forte base eleitoral em Tangará da Serra (239 km a médio norte de Cuiabá), onde obteve cerca de 50% dos votos, o deputado lembrou que sua ligação com a região começou a se consolidar entre 2008 e 2009, com a implantação de uma clínica de hemodiálise. Para ele, a confiança da população veio do trabalho focado em melhorar a qualidade de vida por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

“Tem muitos municípios no estado de Mato Grosso em que não nasce uma criança, nem parto normal, nem cesariana. Então, continua na ambulância e terapia. Então, eu acredito que, com esses quatro hospitais regionais, em Tangará, em Alta Floresta e Confresa, a alta complexidade da região vai melhorar. Nós temos que incentivar o governo do Estado a bancar essa saúde nos municípios menores. E aí, nós vamos ter condições de ter uma qualidade de vida que vai diminuir a ambulância e terapia”, afirmou o parlamentar, que é médico.

 

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No entanto, o cenário estadual da saúde é de filas que somam mais de 800 mil pessoas aguardando por procedimentos no SUS, e o deputado apontou contradições na gestão. Como a situação do Hospital Central, inaugurado há cerca de dez meses e gerido com altos investimentos mensais, que opera com apenas metade de sua capacidade.

 

“O Hospital Central, maravilhoso, se você pôr 100% para funcionar. Mas um paciente que não consegue fazer uma ultrassonografia, não consegue fazer uma tomografia, uma ressonância, uma biópsia… Não mudou nada”, denunciou, cobrando medidas da gestão estadual.

 

Como proposta prática para desafogar o sistema e o fluxo para a capital, o parlamentar destacou a necessidade de instalar centros de quimioterapia em todos os hospitais regionais do Estado.

 

“Inclusive, quando o atual governador foi à minha cidade fazer campanha, a primeira coisa que eu pedi para ele foi um centro de quimioterapia dentro do Hospital Regional. Para acabar com essa fila, esse sofrimento do paciente. Sai do interior e vem aqui para a capital para fazer uma quimioterapia. E, muitas vezes, fica na fila e nem consegue fazer. Mas tem muita coisa que precisa ser mudada e muita coisa conversada”, detalhou.

 

Por fim, o parlamentar cobrou que o Executivo dê apoio efetivo a instituições essenciais, como o Hospital do Câncer, lembrando que a saúde da mulher precisa ser tratada com ações reais e não apenas em discursos de campanha. Ele reforçou que o Legislativo precisa ter mais espaço de diálogo com a Secretaria de Saúde para levar as demandas reais da população colhidas nos municípios.

 

“A Assembleia Legislativa […] está lá para ajudar, para governar junto o Estado e principalmente cuidar da população. Porque, quando o doente não tem uma ressonância, não tem uma cirurgia, ele procura quem? Ele procura o deputado”, pontuou.

 

Cenário político  

Indagado sobre sua articulação política para o novo mandato e se adotará uma postura de base aliada ou oposição, o deputado esclareceu que prioriza a independência funcional em favor da população.

 

“Eu posso até ser base, mas eu sou uma pessoa, eu sou independente. Se precisar criticar o governo, eu critico e eu elogio. Eu procuro ficar do lado do povo, da minha região”, declarou.

 

O parlamentar também criticou o comportamento de setores da oposição que, segundo ele, atuam de maneira radical contra os interesses estaduais apenas por posições político-partidárias.

 

“Tem que votar a favor, independentemente de ser oposição ou não. A gente vê as pessoas da extrema oposição votando contra o Estado. O que a gente tem que fazer? Praticar a boa política. É isso que eu quero fazer”, esclareceu.

 

Por fim, ao comentar os reflexos do pleito eleitoral, o deputado externou preocupação com a forte concentração de poder político observada em Mato Grosso.

 

“É muito perigoso, porque é igual à polarização. E torna a ação do parlamento mais importante aí. Sim, a polarização. Do extremo para cá, do extremo para lá. É muito perigoso. É muito preocupante”, concluiu.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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