
Em meio às articulações do MDB nacional para o segundo turno presidencial, em que a direção estadual de Mato Grosso e outros 16 estados declararam apoio a Flávio Bolsonaro (PL), o deputado estadual reeleito Dr. João (MDB) reafirmou seus questionamentos à coligação formalizada entre o MDB e o diretório estadual do Partido Liberal (PL) em Mato Grosso.
Ao comentar a aproximação das siglas nacionalmente no segundo turno, o parlamentar enfatizou que a composição regional foi imposta sem o respaldo da base emedebista. Para ele, a falta de unidade no encaminhamento enfraqueceu a representatividade do grupo e figurou como um dos entraves centrais para o desempenho do MDB nas urnas locais.
“Deixa eu explicar, a minha crítica é à forma como foi feita. A forma que você, tipo assim, eu não quero você e você me obrigar a te querer. É, isso foi porque as coisas têm que ser, os dois lados têm que participar. Então, a minha crítica foi: como é que você vai fazer uma coligação em que 99% das pessoas não te quer? Só uma pessoa te quer. Então, essa aí foi a minha crítica, que eu continuo fazendo. Qual é? O PL estadual, não o nacional. Sim, o PL estadual” , reafirmou na quarta-feira (14).
O desgaste em torno da coligação ganhou força na esteira do resultado eleitoral para o Senado Federal em Mato Grosso. O MDB lançou a deputada estadual Janaina Riva (MDB) ao cargo de senadora. Contudo, em uma disputa que elegeu Mauro Mendes (União) e José Medeiros (PL), a parlamentar obteve 519.342 votos (14,53%) e terminou em terceiro lugar, ficando fora de uma das duas cadeiras em disputa.
Logo após a apuração, Dr. João já havia manifestado publicamente que o acordo com o PL local falhou em gerar sinergia política. Na ocasião, o parlamentar pontuou que o grupo político errou na condução das alianças regionais e no direcionamento estratégico, observando que o arranjo eleitoral com a ala liberal estadual acabou isolando correligionários em vez de somar forças nas bases municipais.
Apesar do ruído local com a diretoria do PL de Mato Grosso, o emedebista reforçou que a resistência restringe-se ao diretório estadual, diferenciando-o da bancada e do comando nacional do partido. “Foi uma reunião muito importante, em que foi definido que, em 17 estados, o MDB está caminhando junto com o Flávio Bolsonaro. Lá estava toda a equipe nacional e estadual, representantes de todos os estados da Federação, presidentes do partido, secretários, vereadores, deputados estaduais e federais. Houve uma união muito forte em cima do Flávio Bolsonaro em apoiá-lo, e eu acredito que vai ser muito importante esse apoio do MDB no segundo turno.”
Sucessão na Assembleia e primeira-secretaria
Com o término das eleições gerais, as atenções do Poder Legislativo mato-grossense voltam-se para a composição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa (ALMT). Integrante da atual gestão administrativa, Dr. João expressou o interesse de permanecer na condução da primeira-secretaria, compondo chapa com a liderança do parlamento estadual.
Segundo o parlamentar, com o fim da apuração e o alívio das pressões eleitorais, o diálogo com os demais deputados estaduais será intensificado para pactuar o comando da Casa nos próximos dois anos. “Nós estamos conversando ainda sobre isso. Existe a ideia da gente continuar também junto com o presidente da Câmara. Mas, por enquanto, é tudo negociação, não tem conversa [definitiva]. Falta muito tempo ainda. Vai ter que conversar bastante”, afirmou.
“Sem dúvida nenhuma, até esses dias atrás, [a deputada Janaina] estava totalmente preocupada com a sua eleição. Agora já foi resolvido o problema eleitoral, e agora você vai ter que conversar com os colegas, sentar, ouvi-los e definir o que vai fazer. Muito trabalho e muita conversa vai ter”, finalizou.

Faça um comentário