
Uma denúncia anônima recebida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) levou policiais da Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam) a abordar os vereadores de Cuiabá, Ilde Taques e Alex Rodrigues, ambos do Podemos, durante deslocamento do Distrito da Guia para Cuiabá. Na ocasião, foram encontrados cerca de R$ 40 mil em dinheiro vivo dentro de uma mochila no veículo em que estavam os parlamentares, um Volkswagen T-Cross preto.
O episódio passou a integrar parte do contexto das investigações que resultaram na Operação Cathedra Venalis, deflagrada nesta terça-feira (20).
Conforme relatório de inteligência elaborado pelo Gaeco, ao qual o teve acesso, a denúncia apontava que indivíduos supostamente ligados a uma organização criminosa poderiam estar transportando valores em espécie. Diante das informações, o órgão solicitou apoio à Rotam para localizar e abordar o veículo indicado.
Durante a abordagem, os ocupantes desembarcaram espontaneamente e se identificaram verbalmente como vereadores da Capital. Os policiais realizaram buscas pessoais e no veículo, além de consultas aos sistemas disponíveis. Na mochila, foi localizada a quantia aproximada de R$ 40 mil em espécie.
Segundo o relato do comandante da equipe, Ilde Taques assumiu a propriedade do dinheiro e afirmou que o valor era proveniente de um empréstimo entre particulares, destinado ao custeio de uma reforma. Ele não detalhou qual seria a obra. O vereador também declarou possuir uma nota promissória referente à quantia.
O dinheiro foi contado no local e fotografado pelos policiais. As informações foram repassadas ao Gaeco, que deu continuidade à análise dos fatos. Apesar da localização dos valores, o relatório aponta que não foram mandados de prisão em aberto, ilícitos penais ou outros elementos que justificassem medidas adicionais naquele momento. Os ocupantes foram liberados.
A abordagem veio à tona somente na terça-feira (20), durante o cumprimento da Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Gaeco para investigar suspeitas de corrupção, obtenção de vantagens indevidas e possível atuação de organização criminosa em articulações políticas relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande.
A operação cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Além de Ilde Taques e Alex Rodrigues, a investigação tem como alvos vereadores de Várzea Grande e outros agentes públicos.
Os dois parlamentares de Cuiabá negaram envolvimento em irregularidades. Ilde afirmou que não teve material ilegal apreendido, enquanto Alex declarou que participou de um almoço com políticos de Várzea Grande a convite do vereador Miguel Júnior, conhecido como Miguelzinho, e que não teve participação em eventuais práticas ilegais.

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