
Entre gritos e torcidas, o coro já virou marca registrada: “Só tem assassino, que não deixa rastro, o que acontece aqui, Batalha da Alencastro!”. É nesse ambiente de rimas afiadas, improviso e disputa que Felipe Rodrigues, o MC Havel, construiu seu nome e se consolidou como um dos principais representantes da cena de freestyle de Mato Grosso.
Aos 30 anos, o MC, rapper e produtor musical transformou as rodas de rima de Cuiabá em ponto de partida para uma trajetória que ultrapassou as fronteiras do estado. Multicampeão em batalhas locais, Havel já representou Mato Grosso em competições nacionais e se tornou figura conhecida da tradicional Batalha da Alencastro, realizada no centro da capital.
A relação de Havel com a cultura começou antes mesmo das primeiras disputas no microfone. Foi por meio da dança que ele teve contato com o hip-hop e, posteriormente, passou a experimentar as rimas.
Reprodução/Youtube
“Eu comecei a batalhar as primeiras vezes em 2016, mas eu conheci a cultura hip-hop por meio da dança, por meio de um grupo chamado Move. Ali a gente já brincava um pouco de rima, mas foi em 2017 que eu comecei a realmente levar mais a sério, indo ali na Batalha do Pedra 90”, conta o rapper.
O caminho pelas batalhas de Cuiabá o levou, posteriormente, a um dos espaços mais tradicionais do freestyle mato-grossense: a Batalha da Alencastro. Havel começou a frequentar a roda em 2018 e passou a acumular conquistas e protagonismo dentro da cena.
“Depois comecei a frequentar a Batalha da Alencastro em 2018 e o resto é história.”
A expressão resume uma trajetória que ganharia dimensão estadual e nacional. Segundo Havel, ele conquistou por três vezes o título estadual e chegou quatro vezes à disputa nacional, sendo que, em uma das oportunidades, garantiu a classificação por meio da repescagem.
“De lá pra cá, consegui ser campeão estadual três vezes, representei Mato Grosso no nacional quatro vezes, uma dessas vezes eu fui pela repescagem.”
Uma dessas participações colocou o cuiabano no Duelo de MCs Nacional, em Belo Horizonte, uma das principais competições do freestyle brasileiro. Para chegar ao palco nacional, Havel passou pelas classificatórias estaduais, representando Mato Grosso diante de MCs de diferentes regiões do país.
Mas a caminhada construída a partir das batalhas não ficou restrita às competições. O rapper conta que passou a circular por eventos dentro e fora de Mato Grosso, levando o nome de Cuiabá a diferentes cenas do hip-hop brasileiro.
“Além de vários outros eventos que a gente já fez em todo o estado, em várias regiões do Brasil, no Sul, no Norte, sempre representando o estado, levando o nome de Cuiabá por meio do freestyle, por meio do rap e das rimas.” Gazeta Digital
Para além das batalhas
Havel também atua nos bastidores da produção musical e participa da construção de trabalhos de outros nomes da música urbana cuiabana. A experiência adquirida dentro do hip-hop passou, dessa forma, a ocupar também os estúdios.
“Além disso, eu também trabalho como produtor. Já assinei vários trabalhos de artistas cuiabanos, como GL, Holanda, Slow, dentre vários outros talentos que eu pude somar fazendo a produção musical”, relembra.
A trajetória do MC acompanha ainda o crescimento das batalhas de rima como espaço de expressão cultural e de formação de novos artistas em Cuiabá. Locais como a Alencastro transformaram a ocupação de espaços públicos em palco para jovens que encontram no improviso, no rap e na palavra uma forma de produzir arte e apresentar suas próprias narrativas.
Para Havel, há uma produção de música urbana acontecendo na capital que ainda pode ser descoberta por um público maior.
“A cena hip-hop da música urbana está acontecendo em Cuiabá. Para você que não conhece, vou indicar três artistas, tanto de batalha quanto de música, que estão produzindo há algum tempo”, afirma.
As indicações de Havel
P MC deixou nomes para quem quer conhecer mais da produção ligada ao hip-hop e à música urbana de Cuiabá:
Holanda — artista que integra a cena musical cuiabana e que também já teve trabalhos produzidos por Havel. (@talvezholanda)
Drez — nome citado pelo MC entre os artistas que vêm produzindo e movimentando a cena local. (@eodressz)
Sr. Jordan— outra indicação feita por Havel para quem deseja acompanhar os artistas que vêm construindo a música urbana na capital. (@sr.jordan)
“Procure saber quem é Holanda, procure saber quem é Drez e GL, Sr. Jordan”, reforçou.
Escute Havel

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