
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Na política, críticas são inevitáveis. Elas surgem no plenário, na imprensa, nas redes sociais, nas ruas. Mas o que diferencia políticos resilientes daqueles que se perdem no caminho é justamente a forma como encaram cada uma dessas vozes.
Infelizmente, ainda vemos muitos dois extremos nocivos: o vitimismo, quando o político se coloca como alvo injustiçado de tudo e todos, e a arrogância, quando qualquer crítica é desprezada como se fosse irrelevante ou fruto de perseguição. Nenhum desses caminhos ajuda a construir uma liderança sólida.
A crítica como termômetro
Nem toda crítica é injusta. Muitas, às vezes, ela traz, disfarçada, um feedback valioso sobre a percepção do eleitorado. Quando uma comunidade reclama, quando um eleitor insiste num ponto, quando um jornalista questiona de forma repetida, há algo ali que merece atenção. O político que enxerga isso com maturidade ganha um poderoso termômetro para medir sua comunicação, suas entregas e até suas prioridades.
Oportunidade de ajuste “ A crítica pode incomodar, mas é também uma oportunidade de reposicionamento” Mariana Bonjour
A crítica pode incomodar, mas é também uma oportunidade de reposicionamento. Um mandato que escuta e ajusta a rota transmite proximidade e humildade. Em tempos de saturação da política, quem demonstra capacidade de reconhecer erros e corrigir trajetórias não perde autoridade — pelo contrário, ganha respeito e credibilidade.
Comunicação inteligente diante da crítica
Saber lidar com críticas não significa concordar com todas. Significa adotar uma postura de escuta ativa:
Responder com dados e resultados, quando a crítica parte de desinformação.
Reconhecer fragilidades, quando há falhas reais — mostrando o que está sendo feito para corrigi-las.
Transformar ataques em pauta positiva, direcionando o debate para aquilo que o mandato entrega.
Crítica como parte do jogo democrático
A política é o espaço da divergência. Um político que não recebe críticas, na verdade, está invisível. Portanto, ser criticado é também sinal de relevância. Mais do que temê-las, é preciso aprender a interpretá-las como parte do processo democrático e da construção da imagem pública.
Conclusão
Na comunicação política, críticas não devem ser encaradas como inimigas. São, na verdade, bússolas que apontam para onde a percepção pública está indo. Quem reage com vitimismo perde força. Quem responde com arrogância se distancia do eleitor. Mas quem escuta, filtra e responde com inteligência transforma crítica em oportunidade estratégica.
Afinal, o eleitor não espera um político perfeito, mas sim alguém capaz de aprender, evoluir e entregar mais a cada dia.
Mariana Bonjour é advogada e consultora política. Escreve com exclusividade para esta coluna às sextas-feiras

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