Crise com arbitragem ameaça o campeonato estadual de 2027

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Eles ainda não tiveram a profissão regulamentada em Mato Grosso, trabalham em outras funções no dia a dia, se revezam entre gramados esburacados, estádios sem segurança, vestiários vulneráveis e ainda são obrigados a ouvir xingamentos de torcedores, dirigentes e atletas durante jogos das mais variadas competições.

 

Sem vínculo empregatício com a Federação Mato-grossense de Futebol (FMF), dependem do pagamento das taxas (cachês por partida) para reforçar o orçamento familiar; mas quando esse dinheiro não chega, atrasa e ainda tem que pagar para trabalhar, a situação se torna insustentável.

 

Esta é a atual situação da arbitragem em Mato Grosso, que sofre com as mazelas dos mandatários da entidade responsável pelas competições. Como a FMF não tem um patrocinador para custear as despesas, falta dinheiro para pagar os árbitros e assistentes, e, novamente o atraso pode gerar o caos no futebol regional.

 

Conforme A Gazeta apurou ao longo dessa semana, o atraso das taxas e diárias, inclusive de viagens, pode gessar a FMF e até paralisar o calendário de 2027, com início previsto para o dia 9 de janeiro, com a largada do Mato-Grossense.

 

Somente este ano, cinco árbitros já solicitaram desligamento do quadro de arbitragem, em meio a um cenário de insatisfação com as condições de trabalho e a condução administrativa da entidade.

 

O Campeonato Mato-grossense de 2027 está cada vez mais próximo, e a saída de árbitros levanta questionamentos sobre o planejamento da arbitragem, a valorização dos profissionais e as medidas que serão adotadas pela FMF para evitar novas baixas.

 

A Federação Mato-grossense de Futebol (FMF) mantém sem seus quadros 26 árbitros e apenas 19 assistentes que se revezam entre as competições oficiais, como o Campeonato Mato-grossense, Estadual da Segunda Divisão, Estadual Feminino, as diversas divisões de base, além da Copa FMF, que encerra o calendário no próximo dia 10 de novembro.

 

No ano passado o presidente eleito Diogo Pécora, já enfrentou dificuldades semelhantes. Até agora já deixaram o quadro Rodrigo Fonseca, Luiz Paulo de Moura Pinheiro, Geovanio de Lima, Jean Latorraca e Rafael Odilio.

 

Árbitros pagam para viajar
A dívida da Federação Mato-grossense de Futebol (FMF) para com os árbitros que integram o quadro da entidade é superior a R$ 250 mil. Ao revelar na edição de terça (27) que a FMF está inadimplente por não prestar contas de um convênio com a Secel, no valor de R$ 400 mil, A Gazeta apurou que além de estar impedida de obter a certidão negativa, a entidade deve um montante ainda maior aos árbitros e assistentes.

 

Segundo a reportagem apurou foram mais de 250 jogos que ultrapassam o valor de R$ 250 mil em pendências, e, pior que isso: os árbitros e assistentes ainda tem que custear as viagens do próprio bolso para se deslocarem entre as cidades.

 

O comum, mas não legal, é que há anos os árbitros adotaram uma regra de bancar as despesas da viagem e em seguida serem reeembolsados. Mas a devolução não vem ocorrendo.

 

Os árbitros, que não tem vínculo empregatício com a federação, recebem por quilometragem para viajar com o próprio veículo. Uma pessoa que dirige o próprio carro recebe por exemplo R$ 1,80 a cada quilômetro rodado. O valor a ser pago é proporcional a distância percorrida. Uma viagem entre Cuiabá e Sorriso, por exemplo, de 860 Km, pode custar até R$ 1.548,00. A partir de julho desse ano o valor foi reduzido para R$ 1,00/Km. Com o mesmo carro com mais pessoas a taxa sobe para R$ 1,50 Km.

 

  Chico Ferreira/GD

Maurício Siqueira, da comissão de arbitragem e Diogo Pécora, presidente da FMF

 

Atraso motiva desistências

Por conta dos atrasos no pagamento de taxas e diárias, muitos árbitros estão abandonando a FMF. A competição seletiva que termina no próximo dia 10, só não corre o risco de ser paralisada porque outros árbitros decidiram trabalhar em meio a crise institucional instalada na entidade, com a promessa de quem ‘um dia vão receber o lhes é devido’.

 

Engrossam essa lista árbitros da nova safra de apitadores do quadro como Luiz Paulo de Moura Pinheiro e Eleniel Benedito da Silva, que decidiram não trabalhar mais sem receber.

 

Portaria nº 025/2026, assinada no dia 23 de julho desse ano pelo presidente da FMF, Diogo Pécora, estabeleceu os valores das taxas e diárias a serem pagos a árbitros e assistentes da FMF.

 

Segundo o documento a taxa de arbitragem é de R$ 300 por jogo (para árbitro), R$ 180 para cada assistente, R$ 150 para o quarto árbitro e mais R$ 100 para o supervisor de jogo, totalizando R$ 730 por partida.

 

As diárias para hospedagem e alimentação variam de R$ 100 (locais mais próximos) a R$ 390 (mais distantes).

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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