
O réu Djavanderson de Oliveira de Araújo foi condenado a 29 anos e três meses de prisão, em regime fechado, pelo assassinato da ex-namorada Juliana Valdivino da Silva. O crime foi registrado em 2023, em Paranatinga (373 km a leste de Cuiabá), e o criminoso submetido a júri popular que durou mais de 15 horas, na terça-feira (26). A mulher teve o corpo queimado.
A decisão acolheu integralmente a tese sustentada pela promotora de Justiça Fernanda Luiza Mendonça Siscar, da 1ª Promotoria de Justiça Criminal do município.
Djavanderson, que já estava preso preventivamente desde a época do crime, não poderá recorrer em liberdade e teve a execução imediata da pena determinada pela Justiça.
O Conselho de Sentença reconheceu todas as qualificadoras apresentadas pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) de motivo fútil, emprego de fogo, dissimulação, feminicídio (contexto de violência doméstica e familiar). O réu também foi condenado pelos crimes conexos de perseguição (stalking) e violência psicológica.
Emboscada
De acordo com a denúncia do MPMT, Juliana e Djavanderson conviveram por cerca de três anos, mas estavam separados há três meses. Sem aceitar o fim do relacionamento, o acusado passou a monitorar a rotina da ex-namorada.
No dia do crime, Juliana, que estava morando no alojamento do frigorífico onde trabalhava, foi até a antiga casa do casal para buscar seus pertences. Ela chegou a ser mantida em cárcere pelo agressor sob o pretexto de “conversar”, mas conseguiu enviar uma mensagem de socorro para a mãe, que foi até o local e a resgatou.
Horas mais tarde, Djavanderson premeditou o ataque. Ele foi até um posto de combustíveis, comprou etanol e ligou para a vítima, fingindo ter sofrido um acidente de trânsito. Preocupada, Juliana foi ao local indicado para prestar ajuda.
Após uma nova discussão, o homem jogou o combustível no corpo da ex-namorada e ateou fogo. No ataque, ele também acabou sofrendo queimaduras.
Juliana teve queimaduras de 2º e 3º graus em aproximadamente 90% do corpo. Ela foi socorrida em estado gravíssimo e transferida para o Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Apesar dos esforços médicos, a jovem não resistiu às lesões e morreu dias depois na capital.
As investigações da Polícia Civil apontaram que o acusado exercia intenso controle emocional sobre a vítima. Djavanderson havia clonado o celular de Juliana para monitorar suas mensagens e localização em tempo real, além de fazer constantes ameaças de suicídio para chantageá-la psicologicamente.

Faça um comentário