Comunicadora leva joalheria brasileira ao cenário mundial

Imagem

Há trabalhos que começam pelas mãos. O de Bianca Zaramella começa pelo olhar. É dele que surgem imagens, encontros e narrativas capazes de revelar aquilo que nem sempre aparece à primeira vista: a memória guardada em uma joia, a identidade de uma coleção e as histórias humanas que existem antes de uma criação ganhar forma.

 

Bianca nasceu em Brasília, se formou na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), vive em São Paulo e construiu uma trajetória entre comunicação, moda, fotografia e joalheria. Diretora criativa de moda, consultora de comunicação, curadora de joalheria e professora, ela é fundadora da agência Blossom Brasil.

 

“Minha expressão artística acontece por meio das imagens e das histórias que ajudo a construir”, afirma.

 

O caminho até transformar o olhar em profissão passou também por Mato Grosso. Bianca é formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e foi durante a formação que começou a encontrar na linguagem visual um território para sua própria expressão.

  Arquivo pessoal

 Comunicadora formada pela UFMT

“Meu percurso na direção criativa se desenvolveu por meio da comunicação, da moda e da imagem. Durante minha formação em Comunicação Social, fui encontrando na linguagem visual da fotografia e fashion films um campo de expressão”, relembra.

 

Em 2002, a experiência ganhou novos contornos quando Bianca cursou o Master em Fashion Editor no IED Milano, na Itália. A passagem pelo país ajudou a consolidar uma percepção que acompanharia toda a sua trajetória profissional: moda também é linguagem e uma imagem pode contar muito mais do que aquilo que simplesmente mostra.

 

“Essa experiência foi importante para desenvolver meu olhar e compreender a imagem de moda como uma linguagem.”

 

Do jornalismo à direção criativa

Antes de fundar sua própria agência, Bianca passou uma década dentro de redações e produções editoriais. Trabalhou como editora e coordenadora de moda e jornalista na Editora Três, em publicações como IstoÉ Gente e Platinum. Posteriormente, colaborou com veículos como Folha de S.Paulo, Vogue e Harper’s Bazaar.

 

A trajetória também inclui coberturas de semanas de moda no Brasil e no exterior, produção de editoriais e direção criativa de campanhas.

 

Foi nesse percurso que Bianca compreendeu que sua contribuição não estava apenas em produzir imagens, mas em estabelecer conexões entre referências, pessoas e ideias para, a partir delas, construir histórias.

 

“Trabalho conectando moda, joalheria, pessoas e referências para traduzir a identidade de um criador em uma narrativa visual para os clientes da minha agência Blossom Brasil”, detalha.

 

Hoje, à frente da Blossom Brasil, ela desenvolve projetos de comunicação e imagem especialmente voltados a marcas e designers de joias. Desde 2017, também compartilha a experiência acumulada ao longo da carreira como professora no IED São Paulo.

 

Uma ponte para a criação criativa.

Nos últimos anos, Bianca ampliou a atuação para a curadoria internacional de joalheria. Desde 2024, participa de iniciativas relacionadas à Milano Jewelry Week e, em 2026, passou também a colaborar com a Roma Jewelry Week.

  Arquivo pessoal

 Peças de Bianca

Nesse trabalho, existe uma missão que ultrapassa a apresentação estética das peças: fazer com que a criação brasileira atravesse fronteiras e seja compreendida também pelas histórias, saberes e identidades que carrega.

 

“Acredito que minha contribuição está em ampliar o olhar sobre a criação brasileira, especialmente na joalheria, e aproximar artistas, públicos e culturas. Uma imagem pode despertar desejo, mas também pode revelar o trabalho humano, a pesquisa e a memória que existem por trás de uma peça”, pontua.

 

É justamente esse “por trás” que mais interessa à Bianca. Antes da joia pronta, existem mãos. Antes da fotografia, existe pesquisa. Antes da campanha, há uma ideia. E antes de uma peça chegar ao público, existe a história de alguém que a imaginou.

 

“O que me move é revelar o que existe por trás de uma criação: a pessoa, a pesquisa, o gesto, a memória”, destaca.

 

Criar quando tudo passa rápido

A mesma contemporaneidade que permite que uma imagem atravesse o mundo em segundos também apresenta um desafio para quem trabalha justamente com a construção de imagens.

 

Em meio a referências reproduzidas incessantemente nas redes e tendências que surgem e desaparecem em ritmo acelerado, Bianca procura preservar aquilo que considera essencial: a singularidade.

 

“Um dos principais desafios é preservar a singularidade de cada projeto em um ambiente de imagens rápidas e referências que se repetem digitalmente”, destaca.

 

Para ela, direção criativa exige algo que muitas vezes entra em choque com essa velocidade: pesquisa, tempo e sensibilidade. Há ainda a necessidade de equilibrar a liberdade da criação com os objetivos, recursos e prazos envolvidos em cada produção.

 

Apesar das transformações da indústria e das formas de consumir imagens, permanece a razão que a aproximou da criação desde o início.

 

“A arte é uma forma de perceber e dar sentido ao que me atravessa. Ela transforma referências, emoções e experiências em linguagem. Na minha vida, representa liberdade de criação, curiosidade e a possibilidade de continuar aprendendo”, relata.

 

Mais de duas décadas depois de aprofundar esse olhar na Itália, Bianca continua construindo pontes entre moda, comunicação, arte e joalheria. Agora, também trabalha para que criadores brasileiros atravessem essas mesmas fronteiras.

No centro de tudo permanece a imagem, não como superfície, mas como história. Porque uma joia pode despertar desejo pela beleza, mas também pode carregar território, memória e identidade. E o trabalho de Bianca está justamente em fazer com que essas histórias sejam vistas.

 

Indicação

Ao indicar nomes que ajudam a compreender seu universo criativo, Bianca percorre fotografia, direção de moda e criação contemporânea.

 

Grace Coddington — referência para Bianca “pela construção de histórias visuais nos editoriais de moda”. A diretora criativa e stylist britânica tornou-se reconhecida justamente pela capacidade de transformar editoriais em narrativas.

 

Helmut Newton — indicado “pela sensibilidade e pelo impacto de sua fotografia de moda”. O fotógrafo construiu uma linguagem visual marcante e se tornou um dos grandes nomes da fotografia de moda do século XX.

 

Miuccia Prada e Reinaldo Lourenço — Bianca cita Miuccia “pela inovação na moda contemporânea” e, entre os brasileiros, destaca Reinaldo Lourenço “por sua estética única”.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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