Botelho ataca grupo do Paiaguás e prega ‘troco nas urnas’

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O deputado estadual Eduardo Botelho (MDB) selou publicamente o seu rompimento com o grupo político do Palácio Paiaguás em um discurso duro. Sem poupar o governador Mauro Mendes (União) e o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), Botelho acusou a cúpula palaciana de gerir o Estado como uma “panelinha” e de promover a exclusão sistemática de mulheres e idosos da política regional.    

 

O tom incisivo do parlamentar expôs a fratura definitiva no arco de alianças da base governista. Durante o ato político, na última semana, Botelho subiu o tom para defender a pré-candidatura da deputada Janaina Riva (MDB) ao Senado Federal e exaltar a postulação do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo de Mato Grosso.  

 

“Aqui não é o grupo que exclui as mulheres, que exclui os velhos para dizer que está velho, tem que sair! Aqui não! Aqui é o grupo dos mato-grossenses, dos cuiabanos, das pessoas que amam a gente”, disparou o deputado, dirigindo-se aos militantes e lideranças presentes na convenção do MDB.  

 

Ataque à ‘panelinha’ e ‘troco nas urnas’   

Na avaliação de interlocutores do meio político, as críticas de Botelho atingem diretamente os movimentos recentes articulados por Mendes e Pivetta. A referência à discriminação contra mulheres e veteranos foi interpretada como uma reação direta às investidas contra a candidatura de Janaina Riva e ao isolamento imposto ao senador e ex-governador Jayme Campos, sufocado internamente na tentativa de viabilizar o próprio nome na disputa majoritária.  

 

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Celebrando a presença de Jayme no evento, o deputado classificou o ex-governador como a referência máxima do palanque de oposição e pregou reação contra o grupo palaciano. “Esse sim é o grupo verdadeiro, o grupo das pessoas, o grupo do povo! Não é aquele grupinho de meia patela. Mato Grosso não é panelinha de ninguém! Mato Grosso não é curral de dono!”, afirmou Botelho.

 

“Senador Jayme Campos foi tolhido, foi cortado covardemente! E agora é hora de nós darmos o troco! Nós vamos dar o troco sabe onde, senador? Nas urnas!”, convocou. Para demonstrar musculatura, o parlamentar ressaltou a ex-prefeita de Várzea Grande, Lucimar Campos, a quem chamou de “gigante”, e fez uma convocação ostensiva às bases eleitorais da Assembleia Legislativa para adotarem a estratégia do “voto casado”.  

 

Ao citar nominalmente diversos deputados estaduais e federais, o deputado pediu empenho total na campanha majoritária.   “Vocês têm que fazer a campanha com a mesma força, a mesma determinação que você está pedindo voto para Dr. João, pedir para Janaína! Com a mesma determinação, a mesma vontade, o mesmo desejo que você está pedindo voto para Jéssica Riva, peça voto para Janaína! […] É a nossa deputada!” .  

 

O troco de 2024   

Nos bastidores, o discurso inflamado de Eduardo Botelho é lido não apenas como mero alinhamento tático para a disputa estadual, mas como uma desforra contra o núcleo do Palácio Paiaguás. O deputado carrega a mágoa do pleito municipal de 2024, quando disputou a Prefeitura de Cuiabá. À época, apesar de ostentar a candidatura pelo próprio União Brasil, Botelho sentiu o abandono das principais engrenagens do governo, que atuaram de forma tímida ou lavaram as mãos durante a campanha.  

 

A leitura no entorno do parlamentar é que o grupo de Mauro Mendes e Pivetta o rifou nos momentos decisivos da disputa na capital.  

 

Agora, alinhado a Fagundes, Janaina Riva e com a bênção da ala tradicional do União Brasil, representada por Jayme Campos, Botelho formaliza a sua travessia para a oposição, disposto a transformar a mágoa do passado recente no motor da eleição estadual.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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