Botelho afirma que Flávio foi inocente e comparou áudios com Lei Rouanet

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O deputado estadual Eduardo Botelho (União Brasil) afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) teria sido “inocente” ao pedir patrocínio a Daniel Vorcaro para produção de filme. Ele diz não ser um grande apoiador de Bolsonaro, mas que não vê “nada de errado ali”.

 

O site Intercept Brasil revelou troca de mensagens em 2025, entre Flávio e Vorcaro, em que ele cobra o ex-banqueiro. Segundo a reportagem, Vorcaro chegou a pagar R$ 61 milhões para a produção de “Dark Horse” (que significa “azarão”), que trata da vida do ex-presidente. Em uma das mensagens, Flávio chama o dono do Master de ‘irmão’. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

 

As mensagens surgiram dois meses depois de o próprio Flávio Bolsonaro ter afirmado que nunca teve contato com o ex-banqueiro. Antes da divulgação da matéria, ele chegou a classificar o questionamento do pedido de dinheiro de ‘mentira’ durante uma conversa com a imprensa. Depois da publicação da reportagem, ele admitiu as conversas.

 

Para Botelho, essa situação evidentemente prejudica a campanha de Flávio à presidência da República. Entretanto, ao ser questionado sobre seu favoritismo, afirmou que não se importa.

 

“Eu acho que ele agiu de forma inocente porque era um dinheiro, porque patrocinar, qualquer empresário pode patrocinar. Ele se encontrou depois com Vorcaro preso para tentar amenizar a situação”, defendeu em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (21).

 

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Ainda, o deputado comentou que não sabe se Flávio tinha noção de que era “dinheiro sujo”. 

 

“Eu estou dizendo o seguinte, ele agiu com total inocência. Tanto você vê no áudio dele que ele não falou nada demais. Porque, se ele fosse um cara, digamos assim, se tivesse alguma maldade, ele não ia fazer aquilo. Em minha opinião, ele foi simplesmente inocente para um projeto legal, que é de patrocínio. Patrocinar é legal, as empresas podem patrocinar, podem inclusive patrocinar filmes e depois descontar no imposto de renda. Usar igual à Lei Rouanet”, declarou, comparando o esquema de Bolsonaro com a lei de incentivo à cultura.

 

Diferenças entre a Lei e o suposto patrocínio de Flávio

 

A Lei Rouanet é um mecanismo institucional do Estado brasileiro que opera por meio de renúncia fiscal. O proponente (cidadão interessado) inscreve um projeto cultural em uma plataforma pública, passa por uma análise técnica governamental e, se aprovado, recebe autorização para captar recursos com empresas ou cidadãos, que deduzem o valor investido do seu Imposto de Renda.

 

Esse processo exige contrapartidas sociais, como a distribuição de ingressos gratuitos, e uma rigorosa prestação de contas dos valores auditados pela Receita Federal e pelo Ministério da Cultura.

 

Por outro lado, as iniciativas de captação promovidas pelo senador Flávio Bolsonaro para a produção de um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro baseiam-se em negociações diretas no âmbito privado e político. O parlamentar abordou empresários e executivos do setor financeiro em reuniões particulares para obter doações e investimentos diretos na produção do longa-metragem.

 

Diferente da Lei Rouanet, essa modalidade não segue critérios estatais de fomento à cultura, não possui obrigatoriedade de acessibilidade universal e não passa pelas instâncias oficiais de aprovação cultural do governo. Além disso, a discussão sobre o uso de recursos nessas iniciativas privadas difere da Rouanet devido ao envolvimento de contatos estritamente políticos e verbas orçamentárias diretas sob suspeita de desvio de finalidade.

Link da Matéria – via Gazeta Digital

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