
O ex-presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) e pré-candidato a deputado estadual, Léo Bortolin (MDB), afirmou que não irá se envolver na disputa da entidade neste ano para evitar crise em sua campanha, deixando o seu sucessor, Hemerson Máximo, o “Maninho” (União), sozinho na tentativa de se reeleger.
A declaração busca afastar o emedebista dos atritos recentes provocados pelas declarações do prefeito de Nobres, José Domingos Fraga (União), que acusou Bortolin de ter descumprido promessas de gestão e de utilizar a entidade municipalista como vitrine eleitoral. “AMM foi uma fase da minha vida que já passou e que, graças a Deus, eu deixo o legado de, pela primeira vez na história, ter levado 100% dos prefeitos para dentro da entidade”, afirmou Bortolin.
“Agora o meu foco é ser deputado estadual. Qualquer tema que possa trazer qualquer aresta para a nossa campanha, que está indo muito bem, eu não estou me envolvendo. Eleição de AMM é um tema que nesse momento, não me interessa”, completa.
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Questionado sobre a tese defendida por Zé Domingos de que a associação deveria ser gerida exclusivamente por prefeitos em pleno exercício do mandato municipal, o ex-gestor classificou a postura como “totalmente incoerente” e apontou uma contradição familiar.
“Aí ele tem que rever sobre o irmão dele, né? Tem que perguntar para ele e para o Neurilan”, disparou, referindo-se a Neurilan Fraga, que presidiu a AMM por quatro mandatos consecutivos (2015-2023) mesmo após deixar a Prefeitura de Nortelândia.
O distanciamento do ex-presidente ocorre em um momento de rearranjo de forças no municipalismo mato-grossense. Em entrevista na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Zé Domingos confirmou que avalia construir uma candidatura de oposição contra Hemerson Maninho.
A articulação acendeu o alerta nos bastidores sobre um eventual retorno indireto de Neurilan Fraga ao centro do poder da associação. O prefeito de Nobres admitiu que o irmão acumula influência da época em que esteve no comando, embora afirme que a tese de candidatura ainda está sob análise do grupo de prefeitos.
Zé Domingos também criticou a decisão da diretoria da AMM de convocar uma Assembleia Geral Extraordinária para alterar artigos estatutários e antecipar o pleito de janeiro de 2027 para o dia 16 de setembro, em pleno período de campanha das eleições gerais.
“A AMM tem que ser gerida por prefeito […]. Marcaram justamente no momento em que os prefeitos estão todos focados nas eleições gerais. Não é apropriado”, reclamou.
Por sua vez, o atual presidente, Hemerson Maninho, nega que a mudança estatutária configure uma antecipação casuística. Segundo ele, a adequação visa apenas ajustar o cronograma e evitar a vacância de cargos. Fontes ligadas à entidade apontam, contudo, que a pressa para definir a sucessão até dezembro busca blindar o processo eleitoral interno contra interferências de ex-gestores que disputarão cargos eletivos em outubro.

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