
Atualizada 11h – Após 1h50 de atraso, teve início na manhã desta terça-feira (28) o júri popular dos acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto em dezembro de 2023, em Cuiabá.
A primeira testemunha a ser ouvida é o delegado da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Nilson Farias. Delegado há 12 anos e há 3 atuando na especializada, ele presidiu as investigações desde o início, incluindo o inquérito que apurou os supostos mandantes do crime.
Em depoimento, Nilson Farias relatou que esteve no local logo após o assassinato e descreveu a cena encontrada pela equipe policial.
“Quando cheguei ao Bosque da Saúde, havia uma caminhonete com o advogado alvejado em seu interior. O local já estava preservado pela Polícia Militar, Politec e IML. Fizemos os procedimentos iniciais, conversamos com familiares e pessoas próximas para tentar compreender a dinâmica do homicídio”, afirmou.
O delegado contou ainda que a vítima foi encontrada no banco do motorista e que havia dinheiro em sua posse, além do celular, que permaneceu dentro do veículo.
“Foram apreendidos mais de R$ 10 mil com ele. O celular também estava no carro”, disse. Questionado pela defesa se esses elementos afastavam a hipótese de latrocínio, o delegado respondeu que nenhuma linha investigativa foi descartada naquele momento.
“O fato de não terem levado o dinheiro já indicava um homicídio, mas, naquele estágio da investigação, nenhuma hipótese podia ser descartada”, explicou.
Durante o depoimento, Nilson Farias também informou que Roberto Zampieri possuía um veículo blindado, mas que, no dia do crime, utilizava outro automóvel, sem blindagem.
Durante o depoimento, o delegado Nilson Farias afirmou que, ainda nas primeiras diligências, o irmão de Roberto Zampieri apontou um possível nome ligado ao crime e relatou uma situação considerada incomum pela família.
Segundo o delegado, o irmão contou que, dias antes do assassinato, surgiu uma pessoa interessada em comprar uma fazenda. A proposta chamou a atenção da família, que chegou a considerar a história um “papo de maluco”.
Apesar da desconfiança dos familiares, conforme o depoimento, Roberto Zampieri acreditava que havia algo por trás da abordagem.
“O irmão disse que o Roberto acreditava no que ninguém acreditava”, relatou o delegado durante o julgamento. Mas, foi na oitiva do sócio da vítima que o delegado descobriu que a pessoa interessada em comprar a fazenda era Antônio Gomes, apontado como executor do crime.
“Oitiva do sócio possibilitou identificar o cliente. Foi a partir daí que chegamos até Antônio Gomes”, afirmou o delegado durante o julgamento.
Atualizada às 10h05 – A sessão, presidida pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, que estava marcada para começar 9h já está uma hora atrasada. A transmissão ainda não começou pelo canal oficial do TJMT.
Representam a acusação os promotores do Ministério Público Samuel Frungilo e Vinícius Gahyva.
À imprensa, a defesa do coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusado de ser mandante do crime, afirmou que ele é “preso político” e que ele sequer conhecia a vítima.
O júri
Começa na manhã desta terça-feira (28), no Fórum de Cuiabá, o júri popular de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, acusados de envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto em dezembro de 2023.
Os 3 respondem por homicídio qualificado por promessa de recompensa, recurso que dificultou a defesa da vítima, emprego de arma de fogo de uso restrito e concurso de pessoas.
Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Antônio Gomes da Silva é apontado como o autor dos disparos que mataram o advogado.
Já Hedilerson Fialho Martins Barbosa, integrante do Exército e instrutor de tiro, teria atuado como intermediário do crime, sendo responsável por contratar o executor e fornecer a arma utilizada na execução.
O coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas é acusado de financiar o homicídio.
O crime
Roberto Zampieri, de 56 anos, foi assassinado na noite de 5 de dezembro de 2023, em frente ao escritório onde trabalhava, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. Ele estava dentro de uma caminhonete Fiat Toro quando foi surpreendido pelo atirador e atingido por diversos disparos de arma de fogo.
Segundo a investigação do Ministério Público, o crime teria sido motivado por uma disputa de terras avaliada em R$ 100 milhões. A denúncia aponta Anibal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo como os mandantes do assassinato. Ambos também respondem por homicídio qualificado em processo separado.

Faça um comentário