Analista avalia que STF age como poder moderador e vê impacto nas eleições

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Rodinei Crescêncio/Rdnews

Escritor e analista político Vinicius de Carvalho durante entrevista ao Rdtv Cast

O analista político e escritor Vinicius de Carvalho avalia que o Supremo Tribunal Federal tem atuado, nos últimos anos, como poder moderador no Brasil, assumindo um papel que já foi executado anteriormente pelos militares. Traçando uma linha temporal, Vinicius entende que as eleições de 2018 e de 2022 já foram impactadas por esse fenômeno e que o mesmo ocorrerá no pleito de 2026 em razão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete réus acusados de suposta trama golpista no Supremo Tribunal Federal, que deve terminar nesta sexta (12). 

“Agiu em 2018 quando o Lula estava preso, estava inelegível; agiu em 2022 [após Lula voltar a ser elegível por decisão do STF] e age em 2026 porque o principal candidato da oposição é o Bolsonaro. Então, é esse exercício do poder moderador, que não tem previsão na Constituição. A Constituição traz os três Poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Existia um moderador lá na Constituição do Império, em 1824. No caso de um conflito entre Poderes, assim, o imperador poderia arbitrar, como fez em várias ocasiões. Mas, hoje, do ponto de vista jurídico, não existe, mas politicamente existe. É uma democracia que tem dificuldade em se automediar, em usar os seus mecanismos”, opina, durante visita à sede do , onde concedeu entrevista ao Rdtv Cast e ao portal. Além de Vinícius, o jurista Rodrigo Cyrineu falou sobre o trâmite da ação e saiu em defesa do voto do ministro Luiz Fux, que apresentou posição divergente do relator Alexandre de Moraes e do ministro Flávio Dino – que votaram por condenar os réus. Placar está em 2 a 1 e restam os votos de Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

O escritor e analista rememora que, por muitos anos, sempre que havia um impasse político, as Forças Armadas atuavam, mas dos anos 90 para cá, Poder Judiciário veio ganhando musculatura. Para o analista, a partir do governo Michel Temer e, especialmente com Bolsonaro, os militares voltaram a ter muita ascendência no país.

“O que nós estamos vendo agora, na verdade, é uma disputa de dois Poderes moderadores. As Forças Armadas contra Poder Judiciário. Porque boa parte dos réus ali são das Forças Armadas. O Bolsonaro é capitão reformado; o próprio Braga Neto, que foi ministro da Casa Civil, foi, né, do Bolsonaro, o Mauro Cid, os outros, né. Tem muitos que são militares. Há uma disputa muito clara, entre dois Poderes moderadores”.

Eleições de 2026

Prevendo uma nova condenação de Bolsonaro, o analista entende que situação de Bolsonaro, assim como foi com Lula, tende a desidratar eleitoralmente o ex-presidente, o que impõe um desafio para a direita que busca reassumir o poder.

“O impacto existe. Tanto que pesquisas já estão medindo, na espontânea, por exemplo, uma queda do Bolsonaro. Porque ele está passando por uma prova de foge. É algo diário, sistemático, né. Aquilo mesmo que o Lula passou, lá na época da Lava Jato, né, 2015, 2016, ali, na época do impeachment da Dilma [Rousseff], o Lula chegou a ter 17% de intenção de voto, na estimulada. E agora o Bolsonaro tá com isso, tá com cerca de 18%, 19% na espontânea. Tá caindo e outros nomes desse campo estão subindo na espontânea. O Tarcísio de Freitas [governador de São Paulo], é um nome que vem subindo bastante”, opina.

No ano que vem, Lula deve disputar à reeleição e, por enquanto, o PL tem dito que mantém o nome de Bolsonaro, que já está inelegível e hoje cumpre prisão domiciliar, como único plano à presidência da República.

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Link da Matéria – via RD News

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